Transição Política na Paraíba Lucas Ribeiro e Leo Bezerra Assumem Liderança em Movimentação Eleitoral Estratégica
Governador e Prefeito Renunciam em Abril Para Focar em Novas Disputas Eleitorais Com a Aproximação do Prazo Legal para Desincompatibilização Eleitoral, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), preparam-se para deixar seus cargos em 2 de abril. Esta movimentação, que atende às exigências da Justiça Eleitoral a seis meses das eleições de outubro, visa possibilitar suas candidaturas em novos pleitos. A saída de ambos configura uma nova dinâmica política no estado.
O vice-governador Lucas Ribeiro (PP) está preparado para assumir o comando do governo estadual, consolidando-se como potencial candidato da base governista à reeleição. Em paralelo, o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), assumirá a gestão municipal após a renúncia de Cícero Lucena, que concorrerá ao Governo do Estado, reforçando sua trajetória política.
Enquanto isso, João Azevêdo planeja disputar uma das duas vagas do Senado Federal, buscando dar continuidade a um legado de políticas consideradas bem-sucedidas. A análise é de Marciano Monteiro, cientista social e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que comentou os desdobramentos para o portal Fonte83.
Marciano Monteiro destacou os trunfos de Cícero Lucena em sua decisão de concorrer ao Governo do Estado. “Com a renúncia de Cícero Lucena, ele aposta em três grandes ativos. Primeiro, trata-se de um político experiente, já foi governador, senador e prefeito reeleito de João Pessoa. Outro ponto forte é sua experiência administrativa, com discurso de gestor técnico e moderado. Além disso, Cícero está inserido nas elites políticas tradicionais, com capacidade de dialogar com famílias históricas do estado, como os Cunha Lima em Campina Grande. O desafio será desvincular sua imagem dos ciclos políticos anteriores e se apresentar como renovado”, pontuou o professor.
“Inclui obras estruturantes e políticas urbanas em João Pessoa, além de um perfil de gestor pragmático. Ele demonstra força política, retornando à prefeitura com apoio de grupos tradicionais, mesmo após períodos fora dos holofotes”, analisou Monteiro sobre o legado de Cícero.
A respeito de João Azevêdo, que deixará o governo para almejar uma vaga no Senado, o cientista social observou que sua candidatura se alicerça na família Ribeiro e na estrutura administrativa estadual. “Azevêdo se posiciona como um ator político competitivo, com base na família Ribeiro e na máquina administrativa estadual. Ele mantém um discurso técnico e desenvolvimentista, com destaque para grandes obras em João Pessoa, Campina Grande e no interior do estado. Sua gestão é marcada por investimentos em rodovias, hospitais, escolas e infraestrutura, descentralizando recursos por todo o estado. Ele deixa um legado de gestão modernizada, tecnicamente responsável e com políticas públicas consistentes. O sucesso de ambos dependerá da capacidade de formar alianças e unificar bases políticas”, detalhou.
Novos Líderes Enfrentam Desafios de Renovação Geracional e Construção Autônoma
O cenário político também aponta para a ascensão de Lucas Ribeiro e Leo Bezerra, que representam uma nova geração. “Lucas e Leo representam a renovação geracional da política paraibana. Lucas possui capital político familiar e institucional muito forte, mas precisa construir sua liderança autônoma, ao mesmo tempo, sua posição na máquina estadual é uma vantagem, pois permite potencializar a continuidade de políticas públicas bem-sucedidas, mas sem depender apenas da influência de familiares como a mãe ou o tio, equilibrando a coalizão de partidos da base governista. Leo, em João Pessoa, por sua vez, tem uma base sólida no legislativo municipal e deve ampliar sua influência no âmbito territorial e eleitoral pela relação consolidada com vereadores, tem como marca a defesa de pautas populares, precisando consolidar força política própria para futuras disputas”, explicou Marciano Monteiro.
O especialista ressalta que a consolidação das alianças e a definição das candidaturas nas próximas semanas serão cruciais, com os eleitores observando atentamente um pleito que mescla experiência, legado e a busca por renovação.
