PF Detalha Triangulação de R$ 19 Milhões: Repasse Pessoal de Mário Frias e Notas Frias em Filme de Bolsonaro em Investigação

PF Detalha Triangulação de R$ 19 Milhões: Repasse Pessoal de Mário Frias e Notas Frias em Filme de Bolsonaro em Investigação

PF Desvenda Esquema de R$ 19 Milhões Ligado a Filme de Bolsonaro com Repasses Suspeitos

Uma transferência direta de R$ 645.400,00, realizada pelo próprio deputado federal Mário Frias (PL-SP) em favor da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, é um dos pontos centrais de um relatório da Polícia Federal (PF) cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A transação, efetuada em menos de 60 dias, é apontada como incompatível com a renda mensal do parlamentar e levanta sérias suspeitas.

A investigação detalha uma movimentação financeira atípica na produtora, que totalizou R$ 19.033.071,00 entre novembro e dezembro. Este período coincide com as filmagens da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizadas em São Paulo. A PF aponta para um possível circuito fechado de dinheiro público e privado.

O caso ganha contornos ainda mais complexos com a identificação de outras emendas parlamentares e aportes privados sob escrutínio. A investigação busca esclarecer a origem e o destino de vultosas quantias, conectando a produção cinematográfica a possíveis irregularidades. Conforme informações divulgadas pelo relatório da PF, o esquema envolve diversas entidades e indivíduos.

Emendas de Mário Frias e Rota do Dinheiro Suspeito

O relatório da PF mapeou a rota do dinheiro público originado de duas emendas destinadas por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. As emendas somaram R$ 2 milhões. O valor, no entanto, não foi aplicado diretamente pela entidade, mas sim direcionado à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional, empresas ligadas ao grupo econômico de Heric Dias.

Posteriormente, a NTT Brasil, também vinculada a Dias, repassou R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. Para os investigadores, esse trajeto circular sugere uma atuação coordenada para simular transações de mercado e dissimular a origem de verbas públicas. O dinheiro teria sido utilizado para cobrir despesas diretas das gravações, como hospedagens, alimentação e contratos com produtoras.

Outros Parlamentares e Indicações Orçamentárias Sob Investigação

A investigação não se restringe a Mário Frias. O relatório identificou que os deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) também assinaram indicações orçamentárias. Pollon indicou R$ 1 milhão e Bia Kicis R$ 150 mil para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade gerida por Karina Gama.

Embora essas verbas não tenham sido pagas, as indicações destinavam-se a projetos em São Paulo. Isso, segundo a PF, descumpre o princípio de vinculação geográfica das emendas para parlamentares eleitos por Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, levantando mais questionamentos sobre a legalidade das movimentações.

Operação “Make Up” e Conexões com Aportes Privados

Os dados detalhados pelo relatório integram as provas da Operação “Make Up”, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em diversos estados, com autorização do ministro Flávio Dino, do STF. As buscas atingiram o ICB, a ANC e endereços de Frias e Karina Gama.

A apuração sobre as emendas se conecta a investigações sobre aportes privados na obra. O filme “Dark Horse” já estava no radar após a revelação de repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, intermediados pelo senador Flávio Bolsonaro. Até o momento, as defesas de Mário Frias e Karina Gama não se manifestaram sobre os desdobramentos.

GTavares

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