Caso Padre Zé: Ex-governador João Azevêdo é intimado a depor como testemunha sobre desvios de recursos
Ex-governador João Azevêdo convocado para depor no Caso Padre Zé nesta quarta-feira
O ex-governador da Paraíba, João Azevêdo Lins Filho, foi intimado pela Justiça estadual a comparecer e prestar depoimento como testemunha em uma das ações penais que integram o chamado **Caso Padre Zé**. A audiência está marcada para esta quarta-feira, 1º de julho de 2026, às 8h30, na Vara de Crimes envolvendo Organização Criminosa da Comarca da Capital.
A intimação refere-se ao processo nº 0804011-19.2024.8.15.2002, que apura crimes de “Lavagem” ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores. É crucial ressaltar que Azevêdo foi convocado **exclusivamente na condição de testemunha**, e não como investigado ou réu. O mandado adverte sobre a obrigatoriedade de comparecimento, sob pena de condução coercitiva e possível crime de desobediência.
A informação foi apurada pela redação do BC1 a partir do mandado de intimação expedido pela justiça. O documento, assinado eletronicamente em 18 de junho de 2026, detalha que o ato processual poderá ocorrer de forma presencial ou virtual, por videoconferência. Conforme apurado pelo BC1, o mandado traz o número de controle 161560581 no sistema do Tribunal de Justiça da Paraíba.
Entenda o Caso Padre Zé e a Operação Indignus
O Caso Padre Zé veio à tona em setembro de 2023, tornando-se uma das maiores apurações de **desvio de recursos públicos** na história recente da Paraíba. As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, no âmbito da Operação Indignus, deflagrada em outubro de 2023.
A apuração se concentra em supostos desvios de recursos públicos repassados ao Instituto São José, ao Hospital Padre Zé e à Ação Social Arquidiocesana, em João Pessoa. O principal réu é o padre Egídio de Carvalho Neto, ex-diretor da instituição, que responde por acusações de lavagem de dinheiro, peculato e formação de organização criminosa.
Relação do Estado com as Instituições Investigadas
Parte dos recursos investigados tem origem em convênios firmados entre o Governo do Estado e as instituições ligadas à Arquidiocese, especialmente no âmbito do **Programa Prato Cheio**, voltado ao fornecimento de refeições para pessoas em situação de rua. É por causa dessa relação institucional que autoridades estaduais, como o ex-governador, foram chamadas a prestar esclarecimentos sobre os repasses.
Em etapas anteriores do caso, a defesa do padre Egídio já havia arrolado o governador João Azevêdo entre as testemunhas, ao lado de outras autoridades estaduais e religiosas. Na ocasião, o governador afirmou publicamente que o Estado colaborava com as investigações e negou qualquer responsabilidade da gestão estadual sobre as fraudes apuradas.
Próximos Passos no Processo Judicial
O depoimento de João Azevêdo nesta quarta-feira integra a **fase de instrução e julgamento**, etapa em que o juízo ouve testemunhas antes de formar seu convencimento sobre as acusações. Este é um procedimento comum em ações penais, onde pessoas com conhecimento sobre os fatos, mesmo sem envolvimento direto, são ouvidas para esclarecer o juízo.
A audiência poderá ocorrer de forma presencial ou virtual, por videoconferência. O BC1 segue acompanhando os desdobramentos do Caso Padre Zé e trará novas informações assim que forem apuradas. A investigação busca esclarecer a fundo as alegações de desvio de verbas públicas e a participação de envolvidos.
