Secretário de Segurança da PB atribui onda de violência a conexões de políticos com facções criminosas

Secretário de Segurança da PB atribui onda de violência a conexões de políticos com facções criminosas

O secretário de Segurança Pública e da Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, relacionou a recente onda de violência e crimes com requintes de crueldade no estado à proximidade entre o crime organizado e a política local. Em entrevista concedida à rádio Arapuan FM, o gestor analisou episódios recentes registrados em João Pessoa, incluindo casos de decapitações, e destacou que a intensificação das disputas coincide com o período eleitoral.

Segundo o secretário, o enfrentamento policial torna-se mais complexo nas localidades onde atores políticos dão abrigo, espaço e suporte a grupos criminosos. A Paraíba figura atualmente em segundo lugar no ranking nacional em número de candidaturas impugnadas pelo Ministério Público Eleitoral por ligação com facções criminosas, ficando atrás apenas do estado do Rio de Janeiro.

Impacto do apoio político na atuação policial

De acordo com Jean Nunes, o combate ao crime enfrentado pelas forças estaduais ganha contornos de maior dificuldade quando organizações criminosas recebem suporte no meio político. O gestor criticou a postura de figuras públicas que concedem espaço a esses grupos e, posteriormente, adotam discursos de cobrança sobre a segurança pública.

As apurações da área indicam que os municípios paraibanos com maiores entraves para a atuação das polícias são justamente aqueles que concentram investigações e decisões da Justiça Eleitoral referentes ao envolvimento entre políticos e organizações criminosas.

Atuação do Ministério Público Eleitoral e reação das polícias

A presença de ramificações do crime na esfera política resultou em ações diretas do Ministério Público Eleitoral na Paraíba. O órgão impugnou candidaturas no estado após a comprovação de vínculos com facções, dado que coloca a Paraíba na segunda posição nacional nesse tipo de ocorrência, atrás do Rio de Janeiro.

O secretário destacou que as polícias do estado têm agido com rigor no combate aos grupos armados, e que as reações violentas registradas recentemente decorrem do descontentamento das facções que tentam manter o domínio territorial.

blockquote>”A população precisa compreender que quem deu guarida ou quem recepcionou não foi o governo do Estado; nós não estamos dialogando e recepcionando criminoso aqui não, a gente está combatendo”, pontuou Jean Nunes.

O gestor concluiu ressaltando que a cobrança pelo avanço das organizações criminosas não deve recair isoladamente sobre as corporações policiais, uma vez que a acolhida política concedida a esses grupos afeta diretamente a eficácia das ações de segurança no estado.

Francisco Araújo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *