Renúncia de Santiago Peña: Crise no Ueno Bank abala o Paraguai e abre caminho para impeachment
Crise no Ueno Bank leva presidente do Paraguai a renunciar, mas impeachment avança na Câmara
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em um desdobramento da grave crise financeira desencadeada pela intervenção no banco digital Ueno Bank. A decisão, comunicada em vídeo pelas redes sociais, ocorre em paralelo ao avanço do processo de impeachment contra ele no Congresso Nacional.
Peña pediu desculpas à população e justificou sua saída como uma medida para preservar a estabilidade política e as instituições democráticas do país. A crise bancária afetou milhões de correntistas, que ficaram sem acesso a seus recursos, e intensificou críticas aos laços empresariais do presidente com o grupo controlador do banco, além de questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro.
Horas antes do anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados já havia iniciado uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment. Conforme informações divulgadas, mesmo após a renúncia de Peña, os deputados aprovaram o impeachment por unanimidade, com 78 votos favoráveis, aguardando agora a análise do Senado. A crise do Ueno Bank deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso a suas contas.
Vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência
Com a saída de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana está apto a assumir a Presidência do Paraguai e concluir o mandato atual, que se estende até agosto de 2028. Alliana também foi incluído no pedido de impeachment, mas a iniciativa contra ele não prosperou na Câmara dos Deputados. Sua ascensão ao cargo máximo do executivo paraguaio marca uma nova fase na política do país.
Perda de apoio político e o papel do Partido Colorado
A pressão sobre o governo de Santiago Peña aumentou significativamente após a retirada de apoio de importantes lideranças do Partido Colorado, partido do próprio presidente. Figuras como Horacio Cartes, presidente do partido e ex-aliado político, e Basilio Núñez, presidente do Congresso, deixaram de apoiar Peña. Essa perda de sustentação interna, somada às manifestações decorrentes da crise bancária, acelerou a crise política.
A intervenção no Ueno Bank e seus impactos
O estopim da crise foi a intervenção e o processo de resolução do Ueno Bank, determinados pelo Banco Central do Paraguai devido a problemas de solvência. A instituição financeira administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo fundos previdenciários e outras estruturas estatais. A situação levou a protestos de correntistas e ao pedido de demissão do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. Oito pessoas ligadas à administração do banco foram detidas em investigações sobre possíveis irregularidades financeiras.
Vínculos empresariais de Peña sob escrutínio
A relação de Santiago Peña com o Grupo Vázquez, antigo controlador do Ueno Bank, foi um ponto central de questionamento. Peña manteve vínculos empresariais com o grupo até março de 2025, o que gerou acusações de conflito de interesses por parte da oposição. A atuação do governo diante dos problemas financeiros do banco também foi alvo de críticas severas.
Peña lamenta e foca na estabilidade institucional
Em seu pronunciamento, Santiago Peña expressou o desejo de que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua função e que os recursos públicos e privados sejam protegidos. Ele afirmou que nenhum cargo está acima do bem-estar do Paraguai e pediu desculpas aos cidadãos prejudicados. “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou Peña.
