Máfia Digital? Bruno Farias exige resposta da Justiça Eleitoral após denúncia de Cícero sobre compra de votos em plataforma
Bruno Farias cobra agilidade da Justiça Eleitoral após denúncia de compra de votos em plataforma digital
O vereador de João Pessoa, Bruno Farias, manifestou preocupação e urgência em relação às denúncias de uma suposta plataforma digital utilizada para compra de votos. As acusações, apresentadas pela campanha de Cícero Lucena, apontam para uma estrutura organizada visando a captação ilícita de votos em favor de Lucas Ribeiro, candidato ao Governo da Paraíba.
Segundo Farias, a gravidade das denúncias exige uma resposta rápida e eficaz da Justiça Eleitoral. O parlamentar classificou o caso como um dos maiores escândalos de compra de votos já registrados no país, reforçando a necessidade de uma investigação célere e transparente.
As declarações surgem em um contexto de acirrada disputa eleitoral e em meio a desdobramentos de operações que atingiram a administração estadual. A campanha de Cícero Lucena, através de seu advogado Walter Agra, apresentou detalhes sobre o funcionamento da suposta plataforma, que teria cadastrado 1.596 colaboradores. Conforme Bruno Farias, 337 desses colaboradores já teriam sido identificados como integrantes do Governo da Paraíba, informação que embasaria as investigações.
Operação suspeita: Como funcionaria a plataforma de compra de votos
Bruno Farias detalhou, em entrevista, o suposto modus operandi da plataforma. Colaboradores visitariam eleitores para identificar preferências e necessidades pessoais. Caso o eleitor não demonstrasse intenção de votar em Lucas Ribeiro, o colaborador buscaria entender qual demanda poderia ser atendida.
O vereador citou exemplos de pedidos que teriam sido registrados, como fornecimento de tijolos, gás, exames médicos, consultas, cirurgias, auxílio no pagamento de contas e até mesmo dinheiro em espécie. Essas informações seriam inseridas na plataforma e encaminhadas a um setor específico, denominado por Farias como “setor de demandas”.
Um segundo perfil, identificado como “entregador”, seria responsável por visitar o eleitor para atender à demanda registrada. Posteriormente, uma nova abordagem seria feita para verificar a intenção de voto, com relatos de que parte dos eleitores teria mudado sua posição após o atendimento das necessidades.
Estatísticas alarmantes e servidores públicos envolvidos
Bruno Farias apresentou dados que indicam a magnitude da operação denunciada. Entre 30 de agosto e 3 de setembro, teriam sido realizadas 8.526 visitas por integrantes da estrutura. Mais de 2 mil pessoas teriam alterado sua intenção de voto após o atendimento das demandas.
O vereador também destacou que os 337 servidores públicos identificados na denúncia receberiam, juntos, aproximadamente R$ 2 milhões em salários. É importante notar que a transcrição da entrevista não apresentou documentos ou dados oficiais que permitissem a verificação independente desses números.
Farias critica Lucas Ribeiro e compara a “máfias digitais”
Em sua análise, Bruno Farias criticou a reação atribuída ao governador Lucas Ribeiro diante das denúncias. O vereador comparou a postura do governador a características de organizações criminosas, citando o filme “O Poderoso Chefão” para ilustrar a insensibilidade de líderes de máfias.
“Não me estranhou. As máfias, as máfias digitais, inclusive, atuam dessa forma. Quando são interpeladas, quando são interrogadas, não esboçam qualquer tipo de reação. A pálpebra nem se mexe, o rosto fica intacto”, declarou Farias, reforçando sua cobrança por uma resposta rápida, segura e eficiente da Justiça Eleitoral diante da gravidade da “máfia digital” denunciada.
