Governador demite assessor da Educação após condenação por desvio milionário em obra de creche na Paraíba

Governador demite assessor da Educação após condenação por desvio milionário em obra de creche na Paraíba

Governador da Paraíba exonera assessor condenado por desvio de verba pública

O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, determinou a demissão de Francisco de Oliveira Braga Neto, conhecido como Braguinha, do cargo de assessor de gabinete da Secretaria de Estado da Educação. A medida foi publicada no Diário Oficial do estado nesta quinta-feira, 29 de outubro.

A exoneração ocorre após uma decisão da Justiça Federal em um processo criminal que investigou o desvio de recursos destinados à construção de uma creche no município de Conceição, no Sertão paraibano. O ato administrativo cumpre a determinação judicial que condenou Braguinha.

Segundo as informações divulgadas, Braguinha é filho da ex-prefeita de Conceição, Vani Leite Braga, e sobrinho do ex-governador Wilson Braga. A sentença da Justiça Federal condenou não apenas ele, mas também a ex-gestora e outras três pessoas envolvidas no esquema de desvio de verbas federais.

Desvio milionário em obra de creche é confirmado pela Justiça

O processo criminal que levou à demissão de Braguinha teve origem em irregularidades na construção de uma unidade de educação infantil, que foi financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante a gestão de Vani Leite Braga. O projeto total previa um investimento de R$ 1,44 milhão.

Deste montante, R$ 1,08 milhão foi repassado pelo FNDE ao município e, posteriormente, à empresa contratada para a obra, a São Bento Construções e Serviços Ltda. No entanto, uma fiscalização do FNDE constatou que, apesar de a construtora ter recebido aproximadamente 75% do valor, apenas 12,67% dos serviços previstos haviam sido executados.

Com base nesses dados, a Justiça Federal reconheceu o desvio de **R$ 900.359,12** dos cofres públicos. O magistrado ressaltou a discrepância significativa entre os recursos liberados e a obra efetivamente realizada, afirmando que “Restou comprovado que tão somente 12,67% (doze inteiros e sessenta e sete centésimos por cento) da obra foram executados pela empresa contratada”.

Interceptações telefônicas e documentos comprovaram participação

A responsabilidade de Francisco de Oliveira Braga Neto no esquema foi comprovada por meio de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente e outros documentos coletados durante a investigação. As gravações demonstraram que Braguinha mantinha contato constante com a então prefeita, sua mãe, e com representantes das empresas envolvidas.

As conversas tratavam de licitações, pagamentos e da execução das obras no município. O juiz responsável pelo caso concluiu que Braguinha tinha pleno conhecimento das irregularidades na liberação de verbas sem a devida contrapartida em serviços. A decisão enfatiza que “Desta forma, resta claro, longe de qualquer dúvida razoável, por meio das provas colhidas e constantes dos autos que o réu FRANCISCO DE OLIVEIRA BRAGA NETO detinha pleno conhecimento das irregularidades constatadas com a liberação de pagamentos indevidos”.

Condenação implica perda de cargo e inabilitação para função pública

A sentença proferida pela Justiça Federal condenou Braguinha a **quatro anos e quatro meses de reclusão**, a mesma pena aplicada à ex-prefeita Vani Leite Braga. Além da pena de prisão, o julgamento determinou a **perda de eventual cargo público** que os condenados ocupassem e a **inabilitação para o exercício de funções públicas pelo prazo de cinco anos**.

O ato administrativo de exoneração, assinado pelo governador Lucas Ribeiro, aplica a penalidade de demissão a Francisco de Oliveira Braga Neto, com efeitos retroativos a 24 de novembro de 2025. Ele ocupava um cargo de assessor de gabinete lotado na Secretaria de Estado da Educação, pertencente ao Quadro Especial do Estado.

Além de Braguinha e Vani Leite, também foram condenados Damião Cavalcanti dos Santos, Ivan Belmiro Lima e Maria Wilma de Oliveira, por sua participação no desvio de recursos públicos destinados à construção da creche.

GTavares

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