Lula envia ministros ao MS e cria força-tarefa após ameaças contra indígenas, incluindo áudios racistas e de envenenamento

Lula envia ministros ao MS e cria força-tarefa após ameaças contra indígenas, incluindo áudios racistas e de envenenamento

Lula reage a ameaças contra indígenas no MS com envio de ministros e criação de força-tarefa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o deslocamento de três ministros para o Mato Grosso do Sul, visando apurar denúncias de ameaças de morte e até de envenenamento da água contra comunidades indígenas locais. A medida surge após uma série de incidentes registrados no estado, especialmente após o segundo turno das eleições presidenciais.

O chefe de Estado entrou em contato diretamente com o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, para garantir o acompanhamento rigoroso da situação. Paralelamente, o Governo Federal estabeleceu uma força-tarefa, que inclui a mobilização da Força Nacional, com o objetivo de assegurar a proteção das comunidades afetadas.

As denúncias incluem áudios com conteúdo racista e ameaças explícitas, como a de envenenamento da água. Um servidor municipal suspeito de envolvimento nas ameaças já foi afastado de suas funções. Conforme informações divulgadas pelo portal G1, até o momento, não há comprovação de contaminação da água, mas a investigação segue em curso.

Operação Conjunta para Investigação e Proteção

A atuação conjunta entre os órgãos governamentais visa receber e qualificar as denúncias, além de encaminhá-las para os responsáveis pelas investigações e pela responsabilização dos envolvidos. O Ministério da Justiça também solicitou às corregedorias das polícias estaduais e do Distrito Federal o envio de registros de violência política para centralizar informações.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reuniu-se com lideranças indígenas e classificou as violências no Mato Grosso do Sul como inadmissíveis. Ele reafirmou o compromisso do partido com a construção de um Brasil justo e pacífico, livre de ódio e intolerância.

Denúncias Alarmantes no Mato Grosso do Sul

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos cinco assassinatos de indígenas no estado estão sob investigação desde o último sábado, 24. Entre os casos reportados está um suposto atropelamento proposital em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai.

Um caso de grande repercussão envolve uma ameaça de envenenamento da água em Tacuru. Um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura municipal contém falas racistas e ameaças diretas contra indígenas, associando-as ao apoio a Lula. Na gravação, o homem sugere o envenenamento da água para eliminar os indígenas, chamando-os de “pragas”.

Preocupação e Investigação do MPF

A ameaça de envenenamento gerou apreensão nas comunidades, que dependem de caminhões-pipa para o abastecimento. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que parte da comunidade deixou de consumir a água distribuída por medo. O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação e solicitou esclarecimentos à prefeitura sobre a autenticidade das gravações e as medidas para garantir a segurança das comunidades.

Posicionamento dos Ministérios

Em nota conjunta, os ministérios envolvidos destacaram que divergências políticas não justificam ameaças ou agressões. “É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas”, afirmou o comunicado, ressaltando a importância do respeito e da coexistência pacífica em um país democrático.

GTavares

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