Disputa acirrada pela presidência da Câmara de Cáceres se intensifica com projeto de reeleição e articulações políticas que podem redefinir o cenário legislativo municipal nos próximos anos

Disputa acirrada pela presidência da Câmara de Cáceres se intensifica com projeto de reeleição e articulações políticas que podem redefinir o cenário legislativo municipal nos próximos anos

Projeto de resolução pode redefinir futuro da liderança legislativa municipal e esquentar ainda mais a corrida pelo comando da Casa em Cáceres

A eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara de Cáceres, agendada para 1º de janeiro de 2027, promete ser uma das mais disputadas da história recente. O ambiente político da cidade está em efervescência devido à potencial aprovação de um Projeto de Resolução. Essa proposta visa modificar a Lei Orgânica Municipal, abrindo caminho para a reeleição do atual presidente por mais dois anos. O projeto, que se apoia em um parecer do Supremo Tribunal Federal (STF), encontra-se sob a tutela da presidência e pode ser submetido à apreciação e votação a qualquer momento, conforme informações levantadas pelo site Expressão Notícias.

Atual presidente articula reeleição enquanto decano retorna ao parlamento

O vereador Flávio Negação (MDB), atual presidente do Legislativo cacerense, é o principal interessado na aprovação da medida que permitiria sua reeleição. Contudo, caso a proposta não obtenha sucesso, Negação já sinalizou seu apoio a outro nome.

“Se o meu projeto não for aprovado, o novo presidente da Câmara deverá ser o vereador Pastor Júnior (PL)”

A concorrência pela presidência se acentua com o retorno do vereador Rubens Macedo (PSB). Decano no legislativo municipal, com um histórico de nove mandatos, Macedo havia se afastado por um ano para atuar como secretário na administração da prefeita Eliene Liberato. Ele retoma sua cadeira na próxima sessão, substituindo Wesley Lopes (PSB), com o propósito declarado de disputar a presidência.

“Já protocolei na secretaria o requerimento sobre a minha saída. Volto na sessão de segunda-feira porque sou pré-candidato a presidência da Câmara”

declarou Macedo ao site Expressão Notícias.

Cinco vereadores na corrida e oposição aposta em racha na base aliada

Atualmente, cinco vereadores demonstram aspiração à cadeira de presidente da Câmara. Além de Flávio Negação, cuja possível reeleição depende diretamente da aprovação do Projeto de Resolução, e Rubens Macedo, que dedicou seu retorno à articulação política, outros três nomes se destacam na disputa: Pastor Júnior e Elis Enfermeira, ambos filiados ao PL, e o vereador Professor Domingos, do PSB. A oposição nutre a expectativa de manter a liderança da Câmara por mais dois anos, especulando sobre um eventual racha dentro da base aliada, cenário que já influenciou eleições passadas. Tanto Domingos dos Santos quanto Rubens Macedo mostram-se irredutíveis em suas candidaturas e buscam ativamente o apoio da prefeita.

Apoios estratégicos e o ceticismo sobre a aprovação do projeto de reeleição

Dentro do bloco da oposição, o vereador Pastor Júnior e a vereadora Elis Enfermeira emergem como pré-candidatos robustos. Júnior conta com o apoio explícito de Flávio Negação, que confirmou seu suporte ao pastor caso o Projeto de Resolução de reeleição não seja aprovado, além de ter confidenciado outros apoios ao veículo. Por sua vez, Elis Enfermeira também angariou o respaldo declarado de colegas de diferentes partidos, como o vereador petista Cesare Pastorello, que expressou sua visão sobre uma liderança feminina.

“Seria um avanço imenso ver o legislativo cacerense conduzido por uma mulher como a vereadora Elis Enfermeira. Caso seja candidata, ela terá meu voto, já que no ano que vem não pretendo mais estar na Câmara, mas neste ano ainda voto”

Pastorello, amplamente reconhecido como um dos vereadores mais estudioso e influentes da Câmara, também ofereceu sua análise sobre o trâmite do Projeto de Resolução que visa a reeleição. Embora declare-se pessoalmente favorável, alinhando-se ao entendimento do STF sobre a permissão de uma única reeleição sucessiva para cargos diretivos legislativos, ele não percebe um clima político favorável para sua aprovação.

“Pessoalmente, sou favorável à aprovação do projeto, que busca apenas alinhar as normas internas da nossa Câmara ao entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal. Ao julgar a ADI 6.674, o STF estabeleceu que é permitida uma única reeleição sucessiva para os cargos diretivos do Legislativo”

e complementou sua análise:

“Mas, sendo muito transparente, não vejo clima político para alcançar a aprovação. As resistências têm falado mais alto do que a necessidade de adequação legal”

A avaliação de Pastorello representa um entrave considerável para as pretensões de reeleição do atual presidente Negação.

Francisco Araújo

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