Transformação social via arte em João Pessoa: o projeto que reconstrói vidas e abre portas para o futuro
Projeto Arte e Cultura Florescer da Semhab: a arte como motor de transformação e inclusão social para jovens em João Pessoa
Um antes marcado pela timidez, isolamento e depressão deu lugar a um presente de autoconfiança e esperança para Gabriela Brito, de 15 anos. Sua jornada, impulsionada pelo projeto Arte e Cultura Florescer, da Secretaria Municipal de Habitação de João Pessoa (Semhab), ilustra o poder transformador das iniciativas de inclusão social oferecidas pela pasta. Gabriela sonha em cursar Direito e se tornar delegada, mas o teatro, introduzido pelo projeto, despertou também o desejo de seguir carreira artística, uma paixão que a tirou de um estado de insegurança e a impulsionou a buscar seus objetivos.
A mãe de Gabriela, Priscila Brito de Queiroz Fernandes, testemunha a mudança radical na vida da filha desde que ela ingressou no projeto em 2024. Participante de encenações como a Paixão de Cristo e O Mágico de Oz, Gabriela agora integra o elenco de um espetáculo profissional, Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate. “Ela não teria tido essa oportunidade se não tivesse o projeto da habitação que coloca as crianças para fazer teatro. Ela foi vista naquele projeto”, emocionou-se Priscila, destacando a importância do programa para o desenvolvimento da filha.
O Projeto Arte e Cultura Florescer, criado pela Semhab há cinco anos, utiliza a música e o teatro como ferramentas pedagógicas para promover a inclusão social de crianças e adolescentes residentes em conjuntos habitacionais construídos pelo Programa Habitacional da Prefeitura. A iniciativa, que atende jovens de 10 a 16 anos, está em sua segunda fase e beneficia atualmente 15 crianças e adolescentes do Residencial Vista Alegre I e II, no Bairro das Indústrias, e mais 16 jovens da Escola Anayde Beiriz. O acesso às oficinas de teatro, dança e música é garantido às famílias beneficiadas pelos condomínios da Semhab.
Nice da Silva, assistente social da equipe técnica da Semhab, explica que o projeto visa aprimorar a aprendizagem, estimulando a leitura, a criatividade e a objetividade. Além disso, busca melhorar o desenvolvimento psicossocial dos participantes, combatendo a timidez e aprimorando a forma de se expressar. “O projeto Arte e Cultura Florescer tem como objetivo melhorar a aprendizagem, pois desenvolve a leitura, a criatividade e objetividade, bem como o comportamento psicossocial, melhorando a desenvoltura e a timidez na forma como se expressar para o mundo”, observou.
Outros jovens beneficiados pelo projeto relatam mudanças significativas. Davi Lucas, de 11 anos, cuja mãe, Maria Natália, conta que antes apresentava dificuldades de concentração e comportamento agitado, hoje demonstra maior capacidade de memorização de textos e melhora até mesmo em seu desempenho escolar. O mesmo ocorre com Nicolas Silva, também de 11 anos, que antes era retraído e tímido. Sua mãe, Maria Aparecida, relata que o teatro o tornou mais responsável, melhorou suas notas e seu comportamento geral.
O Projeto Arte e Cultura Florescer é parte de um conjunto de ações da Secretaria Municipal de Habitação de João Pessoa voltadas para a inclusão social. A secretária Socorro Gadelha menciona outros programas como o ‘Cuidar do Lar’, a Regularização Fundiária, o ‘Eu Existo’, o ‘Davi’ (musicalização infantil) e cursos de qualificação profissional. “É um programa de habitação de interesse social voltado para dar sustentabilidade às famílias vulneráveis, totalmente voltado à inclusão social. A gente não se preocupa apenas com a pedra e o cal, nos preocupamos com o pós-habitacional”, afirmou Socorro Gadelha.
O reconhecimento do trabalho da Semhab em habitação social veio com o prêmio nacional ‘Selo de Mérito’, concedido pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC) e pelo Fórum Nacional de Secretarias de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU). Pelo quarto ano consecutivo, a Prefeitura de João Pessoa foi premiada, desta vez pelo programa ‘Construindo Inclusão’, que foca na habitação de interesse social e na vulnerabilidade familiar.
Depoimentos que ilustram o impacto do projeto
- Gabriela Brito (15 anos): “O teatro conseguiu me transformar em outro alguém que eu não conseguia ser. E eu sou muito feliz e grata! Antes era a Gabi tímida, frustrada, que não queria falar com ninguém, a menina insegura. Hoje eu perdi a timidez e quero mostrar aquilo que estou me esforçando pra conseguir.”
- Priscila Brito de Queiroz Fernandes (mãe de Gabriela): “Gabi entrou no projeto em 2024. No começo era muito tímida, e depois começou fazer participações na Paixão de Cristo, no Mágico de Oz e agora nessa peça profissional. Ela não teria tido essa oportunidade se não tivesse o projeto da habitação que coloca as crianças para fazer teatro.”
- Maria Natália (mãe de Davi Lucas): “Ajuda ele a se concentrar para decorar um texto, para ensaiar para se apresentar. Vejo mudança de comportamento dele até mesmo na sala de aula. Cheguei a receber reclamações de professores sobre ele, às vezes até agressivo, e o teatro mudou isso nele.”
- Maria Aparecida (mãe de Nicolas Silva): “Na escola era um menino retraído, tímido, tinha vergonha de falar com as pessoas, e depois do teatro mudou bastante. Ele está mais responsável com as coisas em casa e na escola, tira notas melhoras, mais obediente… foi Deus quem colocou essa equipe na vida de Nicolas.”
