Telescópios Feitos por Apenados da PB Iluminam Céu em Celebração Histórica da Astronomia e Ressocialização
Observação astronômica na Paraíba une ciência, ressocialização e história
A Paraíba celebra um momento singular na próxima quarta-feira (25) ao unir a paixão pela astronomia com um projeto inovador de ressocialização. No Santuário de Nossa Senhora da Penha, a partir das 16h30, uma observação coletiva do céu acontecerá para marcar os 158 anos da primeira expedição astronômica no estado.
A iniciativa, liderada pelo projeto ‘Esperança no Espaço’, é uma colaboração entre a Fapesq-PB, a Secties e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O grande diferencial são os telescópios produzidos por apenados da Cadeia Pública de Esperança, demonstrando como a ciência pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão social e cidadania.
Esta ação, conforme explica o secretário da Secties, Cláudio Furtado, reforça a importância histórica da Paraíba para a astronomia e impulsiona o desenvolvimento regional. “Não se trata apenas de produzir conhecimento, mas de transformar isso em oportunidades”, ressalta Furtado, destacando o impacto da formação e produção científica para os reeducandos.
Ressocialização que Alcança as Estrelas
O projeto ‘Esperança no Espaço’ tem como objetivo não apenas a ressocialização dos apenados, mas também a democratização do acesso à ciência. Os reeducandos recebem aulas de astronomia e astrometria, e a produção dos telescópios contribui para a redução de suas penas. Lindemberg Lima, idealizador da iniciativa, explica que as lunetas produzidas serão doadas a escolas públicas.
Durante a observação, será possível contemplar astros como a Lua, Júpiter e a Nebulosa de Órion. “Lua, Júpiter, Nebulosa de Órion e Castor, conhecida como ‘estrela binária’ – pois apesar de parecer um único astro é formada por seis estrelas individuais organizadas em três pares binários – serão possíveis de serem observados no dia”, detalha Lima.
Em 2025, o projeto celebra o legado iniciado em 2015, quando a foto histórica da expedição astronômica foi refeita. Agora, a celebração ganha um novo capítulo com a observação coletiva e a apresentação do Bingo, um radiotelescópio em fase de implantação em Aguiar, que estudará a expansão do Universo.
Um Legado Histórico e um Futuro Promissor
A Paraíba possui uma conexão profunda com a astronomia, que remonta a fevereiro de 1868. Naquela ocasião, a Comissâo Astronômica do Imperial Observatório do Rio de Janeiro esteve no estado para observar o Eclipse Anelar do Sol. O local escolhido foi a Igreja da Penha, o mesmo ponto onde hoje se ergue o Santuário, considerado um espaço ideal para observações privilegiadas.
Este evento histórico não apenas marcou a astronomia, mas também rendeu a primeira fotografia tirada em solo paraibano. A imagem, que registra a comissão, os instrumentos e as fases do eclipse, é um valioso testemunho do passado e um dos mais antigos registros fotográficos do estado.
“Para o IORJ, essa viagem fez parte de um processo de consolidação de sua missão científica, que se aprofundaria nas décadas seguintes. Localmente, aponta a Paraíba como um ponto privilegiado de observações astronômicas”, afirma o professor de história e Pesquisador do ‘Esperança no Espaço’, Ângelo Emílio.
Programação Detalhada para os Amantes do Céu
A programação especial para a celebração se inicia pela manhã, com uma aula de campo sobre astronomia para estudantes de escolas públicas no Santuário de Nossa Senhora da Penha. O físico e coordenador da Cidade da Astronomia, Jamilton Rodrigues, destaca o potencial da astronomia na Paraíba, que impacta não só pesquisadores, mas todos que apreciam o céu.
Às 16h30, o foco se volta para a observação coletiva do céu, celebrando os 158 anos da primeira expedição astronômica no estado. O evento reforça o compromisso do governo paraibano com a ciência e a inovação, tornando o estado um território onde o conhecimento científico gera impacto real na vida das pessoas.
A iniciativa do ‘Esperança no Espaço’ é um exemplo de como a colaboração entre diferentes secretarias e instituições pode promover a ressocialização e, ao mesmo tempo, impulsionar o avanço científico e educacional no estado.
