Capitalização da direita na paraíba Queiroga aposta em divisão governista e bolsonarismo para conquistar vaga crucial no senado
Ex-ministro da saúde, forte aliado bolsonarista, capitaliza divisão entre pré-candidatos lulistas na paraíba, vislumbrando um caminho aberto ao senado
Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde e figura central do bolsonarismo na Paraíba, projeta sua vitória para a segunda vaga de senador nas eleições de outubro. Sua confiança se fundamenta na percepção de um campo da direita conservadora preferencial e na acirrada divisão entre os três pré-candidatos que apoiam o presidente Lula, que disputam o endosso do mandatário, segundo análise de Nonato Guedes.
Queiroga, filiado ao PL e com forte vínculo com o ex-presidente Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, integra a chapa majoritária encabeçada pelo senador Efraim Filho (ex-União Brasil) ao governo. Ele enfrenta adversários significativos: João Azevêdo (PSB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que faz acenos ao Planalto na aprovação de matérias do seu interesse.
A disputa entre esses três é intensa, marcada pela busca incessante pelo apoio presidencial. Enquanto pesquisas recentes de intenção de voto para o Senado na Paraíba indicam João Azevêdo na liderança, seguido por Veneziano, Nabor, teoricamente, compõe uma dobradinha com Azevêdo. Apesar de desentendimentos iniciais sobre invasão de redutos eleitorais, ambos reagiram prometendo um pacto de não-agressão e, inclusive, uma parceria na caminhada que ainda precisam seguir adiante.
O comando estadual do PL foi perdido por Queiroga após o ingresso do senador Efraim, prestigiado como pré-candidato ao Executivo pelo próprio Bolsonaro e pela cúpula nacional presidida por Valdemar da Costa Neto. No entanto, os dois atuam de forma articulada no estado. Efraim acredita em suas chances de avançar para o segundo turno, além de confiar num crescimento surpreendente de Queiroga, que em pesquisas apareceu à frente de Nabor Wanderley.
A oposição está unida, a base governista está rachada.
A revista “Veja” observou a delicada posição do presidente Lula. Nabor é pai do presidente da Câmara e Veneziano é irmão do presidente do Tribunal de Contas da União. Manter a equidistância de ambos os pré-candidatos poderia fragmentar o voto governista, o que acentuaria a divisão entre eles e abriria espaço para um quarto nome: o de Marcelo Queiroga.
O ex-ministro e médico cardiologista pontuou à “Veja” que a polarização entre Veneziano e Nabor “tende a gerar sobreposição de eleitorado e ineficiência na conversão do capital político em votos”, o que, em sua visão, criaria “uma janela objetiva de oportunidade competitiva, ao reduzir o limiar necessário para consolidação de uma candidatura alternativa”, como a sua.
Além dos nomes já citados, há mais dois candidatos ao Senado: André Gadelha (MDB), em dobradinha com Veneziano, e o ex-deputado federal Major Fábio, que compõe a chapa de Efraim.
Queiroga revelou que sua candidatura se insere no campo do voto de opinião, ancorado em uma base ideológica definida, ligada ao eleitorado de centro-direita e ao bolsonarismo. Ele observa que “esse segmento tem apresentado sinais de expansão, impulsionado tanto pela reorganização nacional desse campo quanto por movimentos recentes de desgaste do governo federal na região”.
O ex-ministro rememorou, como inspiração para o seu caso, a eleição ao Senado no Ceará em 2018, também com duas vagas por estado, em que a fragmentação de candidaturas tradicionais abriu espaço para Eduardo Girão, à época no PROS e hoje no Novo, superar o ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira, um cacique do MDB nacionalmente conhecido.
Sua estreia em disputas de mandatos eletivos foi em 2024, quando concorreu à prefeitura de João Pessoa. Na ocasião, causou surpresa ao ultrapassar nomes carimbados e alcançar o segundo turno, perdendo para o então prefeito reeleito Cícero Lucena. Desde então, intensificou seu engajamento político-partidário.
Queiroga também afirmou que fará campanha contra candidatos com “forte lastro de emendas parlamentares”, embora faça a ressalva de que a indicação de repasses, por si só, “não é suficiente para garantir hegemonia eleitoral”. Confiante na força do bolsonarismo, ele se ampara na “tensão entre mobilização material (“verba”) e mobilização simbólica (“verbo”).
Ele afia a retórica nas entrevistas e debates de que participa, com duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, extensivas ao governo de Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba. De acordo com a análise do ex-ministro da Saúde, “a atual configuração eleitoral na Paraíba favorece candidaturas com identidade programática clara e capacidade de mobilização de voto de opinião, sobretudo diante de um campo adversário dividido”.
Pelo sim, pelo não, os adversários evitam subestimar o candidato da direita ao Senado na Paraíba.
