Projeto “Nefro em Rede” da UFPB revoluciona atendimento: 1.656 pacientes saem da fila do SUS para consultas nefrológicas em João Pessoa

Projeto “Nefro em Rede” da UFPB revoluciona atendimento: 1.656 pacientes saem da fila do SUS para consultas nefrológicas em João Pessoa

Projeto “Nefro em Rede” da UFPB revoluciona atendimento: 1.656 pacientes saem da fila do SUS para consultas nefrológicas em João Pessoa

Uma iniciativa exemplar do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (CCM/UFPB), o projeto “Nefro em Rede”, está mudando o cenário do atendimento nefrológico em João Pessoa. A ação já conseguiu tirar 1.656 pacientes da longa fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) por consultas especializadas.

O projeto foca em doenças do sistema urinário, com ênfase nas condições que afetam os rins, buscando agilizar diagnósticos e tratamentos. A meta ambiciosa é zerar a fila, que conta com cerca de 2.500 pessoas aguardando atendimento.

A abordagem inovadora integra diversos atores importantes, incluindo a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, residentes de Medicina de Família e Comunidade (MFC), o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e estudantes de graduação em medicina. Conforme informação divulgada pela UFPB, a iniciativa conta com a participação de 6 médicos nefrologistas, 1 médica de família e comunidade, 40 médicos residentes e 110 graduandos de medicina.

Foco na Atenção Primária e capacitação de médicos

O grande diferencial do “Nefro em Rede” é concentrar esforços em casos de baixa complexidade, que podem ser eficazmente resolvidos na Atenção Primária à Saúde (APS). Essa estratégia não só reduz o tempo de espera para consultas nefrológicas, como também promove a capacitação técnica de médicos da APS.

Além disso, o projeto contribui significativamente para a formação prática dos estudantes de medicina, desmistificando a nefrologia e fortalecendo o compromisso social da universidade com o SUS. A ideia é criar um fluxo contínuo de cuidado e aprendizado.

Metodologia de atendimento e contrarreferência qualificada

O processo de trabalho se inicia com a capacitação da equipe acadêmica, que organiza o atendimento em etapas. Primeiro, uma pré-consulta coleta informações antropométricas e sociodemográficas. Em seguida, ocorre a consulta médica, conduzida por residentes e estudantes sob a supervisão direta de nefrologistas.

Quando necessário, são solicitados exames laboratoriais. A etapa final é crucial para a integralidade do cuidado, com a emissão de uma contrarreferência qualificada. Essa referência contém orientações clínicas direcionadas à Atenção Primária ou encaminhamentos para seguimento compartilhado no ambulatório do HULW.

Resultados e continuidade do projeto

O projeto “Nefro em Rede” teve início em novembro, com um mutirão que atendeu 900 pacientes classificados nas categorias de risco amarelo e vermelho no HULW. Os atendimentos para as categorias azul e verde ocorreram no Centro de Atenção Integrada à Saúde (CAIS) Jaguaribe, às quartas e quintas-feiras à tarde.

Os coordenadores do projeto são Pablo Rodrigues Costa Alves, Lais Medeiros Souto, Denise Mota Araripe Pereira Fernandes e Matheus Vieira Falcao. Em 2026, o “Nefro em Rede” continuará com o atendimento dos pacientes azuis e verdes no CAIS, além de iniciar os retornos dos pacientes que permanecerão em acompanhamento, garantindo a continuidade do cuidado e a resolutividade do sistema de saúde.

Diferenciais e impacto social

O principal diferencial do “Nefro em Rede” é ir além dos mutirões assistencialistas pontuais. Ao implementar contrarreferências educativas e fluxogramas, o projeto capacita os médicos da Atenção Primária, aumentando a capacidade de resolução do sistema e diminuindo encaminhamentos desnecessários no futuro.

Essa abordagem materializa a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Proporciona aos discentes e residentes uma formação prática valiosa, desmistifica a complexidade da nefrologia e fortalece o compromisso social da universidade com a saúde pública.

Francisco Araújo

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