Primeira chinesa a fazer sucesso no Brasil, JAC entra em queda livre e fecha lojas
A JAC, reconhecida como a primeira montadora chinesa a conquistar uma fatia significativa do mercado brasileiro, enfrenta em 2026 um período de intensa retração.
A empresa, que desembarcou no país há cerca de 15 anos com uma rede de aproximadamente 70 concessionárias, viu suas operações encolherem drasticamente, resultando no fechamento de diversas lojas e em uma queda acentuada nos emplacamentos.
Apesar do cenário desafiador, a JAC Motors assegura que não pretende deixar o mercado brasileiro. A estratégia atual da marca se concentra na aposta em veículos comerciais elétricos e na retomada gradual de modelos a combustão, redefinindo sua atuação no país.
A retração nos emplacamentos: números que preocupam
Os dados mais recentes da Fenabrave evidenciam a diminuição da presença da JAC no Brasil. Em 2024, a montadora registrou 2.022 emplacamentos de automóveis e comerciais leves.
Este número caiu para 988 unidades em 2025, representando uma redução de 51,1% em um ano.
A tendência de queda persistiu em 2026. Entre janeiro e julho deste ano, foram contabilizados 346 emplacamentos, em comparação com 616 no mesmo período de 2025. Essa diferença aponta para uma retração de 43,8%.
O desempenho dos carros elétricos em declínio
O segmento de carros elétricos da JAC, que outrora foi a principal aposta da marca, também registrou um declínio considerável.
A montadora passou de 375 automóveis elétricos emplacados entre janeiro e julho de 2025 para apenas 129 no mesmo período de 2026, uma queda de 65,6%.
Na prática, a linha de veículos elétricos de passeio se resume atualmente ao E-JS1, que teve 117 unidades registradas em 2026, além de três versões do E-JS1 Extreme.
Modelos como o E-JS4 e o E-J7, embora ainda apareçam no site da empresa, não tiveram emplacamentos neste ano.
Reestruturação da estratégia e o futuro dos modelos
A própria JAC informou que o E-JS1 está em sua fase final de comercialização, sendo aguardada sua substituição por outro carro elétrico, o E-JS3 (conhecido na China como Yiwei 3).
Contudo, a chegada do E-JS3 ao Brasil tem sido adiada reiteradamente, com previsões iniciais para 2024, depois 2025 e, por fim, para o início de 2026.
Dez unidades do E-JS3 foram emplacadas em 2026, mas esses registros podem estar relacionados a processos de homologação, testes ou demonstrações.
A JAC atribuiu os adiamentos a fatores como mudanças no mercado brasileiro, o aumento da concorrência entre os veículos elétricos chineses e o gradual aumento do imposto de importação.
Veículos comerciais elétricos como nova aposta
Em contraste com a queda dos carros de passeio, o segmento de veículos comerciais elétricos da JAC apresenta um movimento ascendente.
As vendas de comerciais leves elétricos saltaram de 12 para 44 unidades entre os primeiros sete meses de 2025 e 2026.
No setor de caminhões elétricos, a JAC emplacou 101 unidades no período, alcançando uma participação de 57,39% no segmento, segundo dados da Fenabrave.
A marca confirmou que a gestão das vans e caminhões elétricos segue sob a responsabilidade do Grupo SHC, com foco em empresas, frotistas, logística urbana e entregas.
O encolhimento da rede de concessionárias e a aposta digital
A transformação da JAC no Brasil também é visível na sua rede de vendas. A montadora iniciou suas operações em 2011 com a abertura simultânea de 50 concessionárias e encerrou o primeiro ano com cerca de 70 pontos de venda e 23,7 mil veículos emplacados.
Após anos de redução, a rede chegou a aproximadamente 35 concessionárias em 2014, operou com cinco lojas focadas na picape Hunter mais recentemente e passou por nova reestruturação em 2026.
Atualmente, a JAC conta com apenas três concessionárias de venda de veículos de passeio, localizadas em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
As vendas, por sua vez, estão cada vez mais concentradas nos canais digitais. Apesar disso, a JAC mantém uma estrutura de assistência e pós-venda mais abrangente, com cerca de 150 pontos de atendimento, que incluem oficinas e centros autorizados.
Em resumo, a JAC Motors, que um dia simbolizou a ascensão chinesa no mercado automotivo brasileiro, reajusta sua rota em meio a desafios.
Com uma operação de vendas drasticamente reduzida e um foco renovado em segmentos específicos, a empresa busca assegurar sua permanência no Brasil, adaptando-se às novas demandas e à intensa concorrência do mercado em 2026.
