Pix se consagra como o bastião da confiança nacional: 80% dos brasileiros aprovam o sistema de pagamentos que desafia divisões políticas, supera boatos de taxação e se torna peça-chave no debate sobre soberania econômica em um cenário de baixa credibilidade institucional
Sistema de pagamentos do banco central atinge patamar inédito de credibilidade, superando tradicionais instituições e provocando intensas disputas no cenário político
O Pix consolidou-se como o sistema de pagamentos de maior confiança entre os brasileiros, registrando a aprovação de 80% dos entrevistados em uma recente pesquisa. Lançado pelo Banco Central há quase seis anos, a ferramenta digital mantém sua robusta aceitação popular, mesmo diante de especulações sobre uma possível taxação nas transferências. Sua resiliência e penetração na sociedade o equiparam à popularidade de programas históricos como o Plano Real e o Bolsa Família, conforme análise do cientista político Murillo de Aragão, em um levantamento divulgado pelo Diário do Estado de GO, a partir de estudo realizado pela Genial/Quaest.
A desconfiança em relação ao Pix é minoritária, com apenas 19% dos participantes expressando incerteza, enquanto 1% preferiu não emitir opinião. Este cenário de ampla aceitação contrasta com a credibilidade de outras instituições. A Igreja Católica ocupa o segundo lugar na pesquisa com 76% de confiança, seguida pela Polícia Militar, com 75%. As Forças Armadas alcançaram 70% de aprovação, patamar idêntico ao da confiança em parceiros como marido, esposa ou companheiro.
Credibilidade transpartidária e baixa confiança institucional
Um dado notável do estudo reside na transversalidade da confiança no Pix, que transcende divisões políticas. Entre os eleitores de direita que não apoiam Jair Bolsonaro, 87% confiam no sistema. Da mesma forma, 88% daqueles que se identificam com a esquerda não lulista também manifestaram sua confiança, evidenciando a capacidade do Pix de unificar diferentes espectros ideológicos no país.
Paralelamente, a pesquisa destaca a baixa confiança em outras instituições políticas. A Presidência da República registra apenas 57% de aprovação, enquanto o Congresso Nacional alcança 49%, o Supremo Tribunal Federal (STF) 50%, e os partidos políticos, a menor taxa, com apenas 44% de credibilidade.
O Pix no centro da polarização política
O sucesso do Pix o catapultou para o centro do debate eleitoral e das narrativas políticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro têm se movimentado para associar a ferramenta aos seus respectivos grupos. Flávio Bolsonaro, por exemplo, tenta vincular a criação do sistema a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador declarou:
“Brasil e ao Bolsonaro”
Essa disputa pela paternidade do Pix ocorre em meio a controvérsias, como a revogação, no início de 2025, de uma norma da Receita Federal pelo governo Lula. Essa norma estabelecia novas regras para a coleta de dados sobre transações financeiras. A oposição interpretou a medida como um possível indício de taxação do Pix, intensificando a polêmica, especialmente após um vídeo do deputado Nikolas Ferreira que gerou grande repercussão, alcançando 200 milhões de visualizações.
Em resposta às críticas, o governo Lula passou a defender o Pix como uma questão de soberania nacional, fazendo alusão ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos no ano anterior. Diferentes atores políticos no Brasil utilizam o êxito do sistema em suas argumentações, mostrando que o Pix não é apenas um método de pagamento, mas um tema relevante no cenário político e social brasileiro. O sistema reflete a interação entre economia e política no cotidiano dos cidadãos, indo muito além de sua função transacional original.
