Padre paga multa milionária e se retrata após fala sobre Preta Gil
Padre faz acordo para evitar pagamento de R$ 370 mil e se retrata publicamente
O padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, firmou um acordo civil com a família de Preta Gil e Gilberto Gil para evitar o pagamento de uma indenização de R$ 370 mil. O acordo, que aguarda homologação judicial, prevê uma retratação pública do clérigo após proferir falas de intolerância religiosa contra religiões de matriz afro-indígena durante uma missa em 2023.
O que o padre se comprometeu a fazer?
Para reparar os danos causados, o padre aceitou cumprir uma série de medidas:
- Pedido de desculpas público: O clérigo deve se retratar nominalmente a Gilberto Gil e familiares durante uma missa, que será transmitida pelo canal oficial da paróquia no YouTube, o mesmo local onde as ofensas foram feitas.
- Reconhecimento da ofensa: Danilo César admite o teor ofensivo de suas declarações e reconhece que suas falas causaram dor à família.
- Doação de alimentos: O acordo inclui a doação de oito cestas básicas para uma instituição indicada pela família Gil.
- Prazo e multa: A retratação deve ocorrer em até 30 dias úteis após a homologação judicial. O descumprimento pode gerar uma multa de R$ 250 mil.
Acordo na esfera criminal
Em fevereiro deste ano, o padre já havia fechado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal (MPF-PB). Para não responder criminalmente, ele se comprometeu a:
- Participar de um evento inter-religioso.
- Produzir resenhas de obras sobre o povo negro e cultos afro-paraibanos, além de assistir ao documentário “Obatalá, o Pai da Criação”.
- Cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa.
- Destinar R$ 4.863,00 à Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).
Entenda o caso
O episódio ocorreu em julho de 2023, quando o padre Danilo César utilizou o tratamento de saúde de Preta Gil contra o câncer para atacar a fé da família. Ele questionou a eficácia das orações aos orixás e insinuou a morte da cantora. Além disso, o clérigo ameaçou fiéis católicos que frequentavam terreiros de Umbanda e Candomblé, chamando essas práticas de “coisas ocultas” e desejando que “o diabo levasse” quem as procurasse. As declarações geraram revolta e levaram ao registro de um boletim de ocorrência por intolerância religiosa.
