Operação da PF mira chefe de facção do Acre que usava identidade falsa em JP
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) deflagrou a Operação Muro de Gesso para desarticular uma organização suspeita de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. O principal alvo da ação na Paraíba é um homem apontado como chefe de uma facção criminosa do Acre, que vivia em João Pessoa utilizando uma identidade falsa.
As ações concentraram-se nos municípios de João Pessoa e Cabedelo, onde foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão. Por determinação da Justiça, também foi autorizado o sequestro de 29 imóveis e dois veículos, além do bloqueio de até R$ 8 milhões em bens e valores ligados aos investigados.
Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro
As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que o suspeito ocupava posição central na estrutura da organização criminosa. Mesmo sem declarar atividade lícita ou vínculo empregatício formal, ele mantinha um padrão de vida elevado na capital paraibana.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo utilizava familiares e outros integrantes como laranjas no registro do patrimônio. Essa estratégia visava dificultar a identificação dos reais proprietários e a rastreabilidade dos bens adquiridos.
Entre os bens identificados e submetidos às medidas restritivas estão:
- Imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais;
- Apartamentos de alto padrão;
- Veículos de luxo;
- Cerca de 396 quilos de cocaína apreendidos em episódios relacionados ao grupo.
Mobilização nacional e ações integradas
A Operação Muro de Gesso integra a Operação Força Integrada IV, uma mobilização nacional realizada simultaneamente em 19 estados. A ofensiva contou com a participação de 20 bases operacionais voltadas ao combate ao tráfico de drogas, armas e lavagem de capitais.
Em âmbito nacional, foram cumpridos 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão, com bloqueios patrimoniais que superam R$ 508 milhões. As maiores restrições ocorreram no Tocantins (até R$ 412,5 milhões), em Mato Grosso do Sul (até R$ 75 milhões) e na Bahia (mais de R$ 12 milhões).
Paralelamente, na Paraíba, foi deflagrada a segunda fase da Operação Trapiche, focada em investigações sobre tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro, resultando no bloqueio de até R$ 750 mil em ativos do grupo suspeito.
