Operação Cítrico agita cenário político paraibano com secretário de João Pessoa sob investigação e prefeito de Cabedelo afastado em esquema milionário de fraude e desvio de recursos públicos que movimenta cifras exorbitantes
Autoridade da capital paraibana é citada em apuração que envolve desvio milionário em Cabedelo e movimenta R$ 270 milhões em suposto esquema criminoso
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a Operação Cítrico, que apura um suposto consórcio entre agentes públicos, empresários e membros de uma organização criminosa com atuação em Cabedelo. A investigação revelou novos nomes, destacando Rougger Xavier Guerra Júnior, atual secretário de Ação Governamental e Articulação Política da Prefeitura de João Pessoa, como um dos averiguados. Paralelamente, a Justiça determinou o afastamento do prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, do partido Avante. As informações foram divulgadas pela TV Cabo Branco, conforme apuração publicada pelo portal PontoPB.com.br.
As apurações da Operação Cítrico concentram-se em um esquema complexo de fraude em licitações, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades de uma organização criminosa, cuja movimentação financeira estimada pode alcançar R$ 270 milhões. A Polícia Federal cumpre 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, na Paraíba. As investigações ainda estão em andamento e podem levar à responsabilização dos envolvidos por diversos crimes.
Secretário de João Pessoa tem ligação com núcleo político e histórico de atuação em Cabedelo
Rougger Guerra exerce uma das funções mais estratégicas na administração municipal de João Pessoa, sendo reconhecido como um dos colaboradores mais próximos da gestão. Ele integra o núcleo político que abrange as gestões do ex-prefeito Cícero Lucena e do atual prefeito Leo Bezerra. Até o momento, a extensão do envolvimento do secretário nas investigações não foi detalhada oficialmente.
Antes de assumir cargos no Executivo municipal, Guerra atuou como advogado em causas ligadas a figuras políticas de Cabedelo. Ele representou legalmente o ex-prefeito Vitor Hugo, que recentemente deixou a Secretaria de Turismo de João Pessoa e já foi mencionado em inquéritos que resultaram na cassação do ex-prefeito André Coutinho. Rougger Guerra também foi defensor de Lucas Santino, peça-chave na delação da Operação Xeque-Mate, ocorrida em 2016 e que levou à prisão do então prefeito de Cabedelo, Leto Viana. No período em que Lucas Santino presidiu a Câmara Municipal de Cabedelo, Rougger Guerra ocupou a posição de procurador da Casa Legislativa.
Laços familiares e políticos reforçam cenário investigativo em Cabedelo
As relações políticas na região se estendem a ligações familiares. A esposa de Lucas Santino, Priscila Santino, atualmente ocupa a Secretaria de Educação de Cabedelo. Ela é filha de Edésio Rezende, que também já foi prefeito do mesmo município. Essas conexões são analisadas no contexto da investigação em curso.
