Lindbergh Pede ao STF Registros de Jato Usado por Flávio Bolsonaro em Viagem com Empresário e Advogado
Lindbergh Farias busca informações sobre voos de Flávio Bolsonaro em aeronave de empresário e advogado, pedindo acesso a registros no STF.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam realizadas buscas em aeronaves vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao advogado Willer Tomaz. O objetivo é obter detalhes sobre voos que teriam sido utilizados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares.
A solicitação, divulgada pela coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, visa garantir a preservação de documentos e dados cruciais. Tais informações, segundo o parlamentar, são essenciais para esclarecer a utilização dos jatos e os passageiros que estiveram a bordo.
O pedido ainda está sob análise do STF e aguarda uma decisão judicial para que as medidas de busca e apreensão, caso deferidas, possam ser executadas. A iniciativa busca trazer transparência sobre o uso de aeronaves de terceiros por autoridades públicas.
Detalhes do pedido incluem diários de bordo e listas de passageiros
Na petição enviada ao STF, Lindbergh Farias requereu acesso detalhado a diários de bordo, listas de passageiros, registros de voos e dados recentes dos sistemas embarcados das aeronaves em questão. Além disso, o deputado solicitou a apreensão e indisponibilidade dos aviões.
O parlamentar também pediu que órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Polícia Federal e autoridades aeroportuárias sejam consultados. A intenção é reunir o máximo de informações sobre quem utilizou as aeronaves e quem foram os passageiros, detalhando cada viagem.
Jato em questão foi utilizado por Flávio Bolsonaro em viagem aos EUA
Uma das aeronaves citadas no pedido é um jato modelo Legacy 650. Este avião foi utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda e as duas filhas do casal em uma viagem da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília, em janeiro de 2025. O advogado Willer Tomaz, amigo do senador, também estava presente na viagem.
Segundo informações divulgadas por O Globo, Tomaz afirmou ter custeado integralmente a viagem, e que Flávio Bolsonaro e seus familiares teriam viajado gratuitamente, como convidados. Registros analisados na apuração indicariam ainda uma reserva anterior no mesmo avião, também envolvendo o senador e sua família.
Curiosamente, meses depois, a mesma aeronave foi utilizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, conforme reportagens de O Globo e da revista piauí. A aeronave possuía ligação com Daniel Vorcaro, sendo operada pela Prime You, empresa na qual ele era sócio na época da viagem. Willer Tomaz também era cotista da aeronave.
Deputado alega existência de “hub financeiro” para atender parlamentares
Na petição, Lindbergh Farias argumenta que bens e serviços associados a Willer Tomaz deveriam ser analisados em conjunto com os registros de viagens e movimentações financeiras. O deputado utilizou a expressão “hub financeiro” para descrever uma suposta estrutura que teria atendido parlamentares.
Essa afirmação, no entanto, foi apresentada como uma alegação dentro do pedido e não representa uma conclusão judicial sobre a existência de tal estrutura. A defesa de Willer Tomaz, que é investigado em um caso relacionado ao INSS, negou a existência de qualquer relação comercial ou financeira com Flávio Bolsonaro, afirmando que os dois são amigos.
Os advogados de Tomaz se manifestaram sobre outra petição de Lindbergh, que também solicita planos de voo e listas de passageiros para identificar quem pagou pelo uso das aeronaves pelo senador. Até o momento, todos os pedidos apresentados ao STF dependem de decisão judicial para que as diligências sejam realizadas.
