Justiça prorroga afastamento de delegado e agente em Alagoas por suspeita de participação na Máfia dos Concursos

Justiça prorroga afastamento de delegado e agente em Alagoas por suspeita de participação na Máfia dos Concursos

Justiça federal estende por 60 dias o afastamento de delegado e agente de Alagoas envolvidos em esquema de fraudes em concursos públicos conhecido como “Máfia dos Concursos” na Paraíba.

A 16ª Vara Federal na Paraíba decidiu, nesta segunda-feira (15), prorrogar por mais 60 dias o afastamento cautelar do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e do agente Eudson Oliveira de Matos. Ambos são investigados por suposto envolvimento em um esquema de fraudes em certames públicos, a “Máfia dos Concursos”, com base em Patos, no Sertão da Paraíba.

A decisão, do juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O órgão argumentou que a permanência dos servidores em suas funções representava um risco para a instrução criminal, especialmente diante da realização de um novo concurso para a Polícia Civil de Alagoas.

Gustavo Xavier do Nascimento, apesar de afastado do cargo de chefia, continua atuando como delegado. Já Eudson de Matos permanece preso. Um celular apreendido recentemente na cela do agente elevou o alerta da Justiça sobre o risco de continuidade das atividades criminosas.

“O afastamento do exercício das funções públicas revela-se a medida menos gravosa para se fazer cessar a prática criminosa e impedir novas interferências nas investigações”, afirmou o magistrado na decisão.

Entenda a Operação Máfia dos Concursos

Em outubro de 2025, uma operação da Polícia Federal desarticulou um sofisticado esquema de fraudes em concursos públicos, que teria sido liderado por Wanderlan Limeira de Sousa, falecido no ano passado. O grupo, com atuação a partir de Patos, funcionava como uma empresa familiar há mais de uma década, chegando a cobrar R$ 500 mil por vaga.

Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava métodos como candidatos “dublês”, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real com os candidatos durante os exames. Os pagamentos pelas aprovações irregulares envolviam não apenas dinheiro, mas também veículos, procedimentos odontológicos e até ouro.

O relatório da PF aponta que os crimes vinham ocorrendo há mais de dez anos e abrangeram diversos concursos, incluindo certames para a Polícia Federal, Caixa Econômica, Polícias Civil e Militar, UFPB, Banco do Brasil e o Concurso Nacional Unificado (CNU).

Francisco Araújo

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