Investigações bilionárias de fraudes no INSS jogam sombra sobre o apoio unânime do PDT à reeleição de Lula, com mais de 60 inquéritos envolvendo aliados pedetistas
Apoio formalizado em Brasília pelo Diretório Nacional do PDT vem acompanhado de antigos fantasmas de investigação envolvendo fraudes previdenciárias e demissões estratégicas
O Diretório Nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT) aprovou, por unanimidade, o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, a recente imagem de Lula ao lado da cúpula do PDT, incluindo o presidente nacional Carlos Lupi, ganha um novo e complexo significado. Muitos dos importantes membros do partido presentes no evento são citados em investigações que apuram fraudes bilionárias contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme informações da coluna Radar, da revista Veja.
Mais de 60 inquéritos estão em andamento no gabinete do ministro André Mendonça, e incluem negociações de delações premiadas. Um dos nomes que narram detalhes envolvendo pedetistas é o empresário Maurício Camisotti, segundo a coluna Radar, que divulgou a informação em abril.
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Repercussões passadas e a estratégia petista
No ano anterior, para mitigar o desgaste gerado pelo escândalo, o presidente Lula demitiu Carlos Lupi do Ministério da Previdência. Posteriormente, outras demissões de aliados do ex-ministro foram impostas à medida que novas operações da Polícia Federal avançavam. Apesar dos constrangimentos persistentes, o presidente não rejeitou o suporte eleitoral do PDT, mesmo com alguns de seus aliados mais próximos envolvidos nas investigações.
Convenção Nacional e discurso de Lupi
A aprovação do apoio ocorreu na última segunda-feira, 20 de julho, durante a Convenção Nacional Partidária e Eleitoral, realizada na sede do partido em Brasília, com auditório lotado por lideranças. Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, destacou que sua legenda é a primeira nacional a oficializar o suporte a Lula. Ele enfatizou que a aliança não está condicionada a cargos ou espaços no governo, mas sim à coerência histórica do partido.
“Hoje estamos fazendo história porque, desde 1989, quando Brizola apoiou Lula no segundo turno, e de 1998, quando foi seu vice, não tivemos a oportunidade que temos agora: ser o primeiro partido nacional a anunciar oficialmente o apoio ao presidente Lula. Não é cargo, espaço em ministério ou qualquer benesse de poder que nos faz estar aqui. É a história da luta do povo brasileiro, é a história da coerência do PDT.”
Lupi também mencionou que a convenção representa um reencontro do PDT com sua trajetória e a reafirmação do compromisso da legenda com as lutas democráticas do país.
Agradecimento de Lula e pilares da campanha
Ao participar da convenção, o presidente Lula agradeceu o apoio e indicou que sua campanha será marcada pela defesa da soberania nacional e do regime democrático. Ele associou o avanço da extrema-direita ao desmonte de políticas públicas, ao negacionismo e às tentativas de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.
“Não há nada mais sagrado neste momento histórico do que duas coisas para marcar uma campanha política neste país. Primeiro, a defesa da soberania nacional. Nós precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho de que este país foi criado e construído por brasileiros. A outra coisa é a democracia. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar em governar este país.”
