Flávio Bolsonaro muda discurso após derrota e se autodenomina ‘líder do Brasil’ em carta, mas mantém acusações de fraude eleitoral sem provas
Flávio Bolsonaro altera carta e se apresenta como ‘líder do Brasil’, mas insiste em fraude eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) promoveu alterações significativas em uma carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos. Inicialmente, o parlamentar se apresentava como “presidente eleito do Brasil”, mas após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, modificou o texto para se autodenominar “líder do Brasil”.
Apesar da mudança de nomenclatura, Flávio Bolsonaro manteve as acusações de fraude eleitoral no pleito, sem, contudo, apresentar provas concretas que sustentem suas alegações. As modificações foram noticiadas pelo jornal O Globo, que comparou as duas versões do documento.
A carta, divulgada três dias após o resultado eleitoral, foi escrita após o senador desembarcar em Miami, na Flórida. Flávio Bolsonaro havia deixado Brasília na terça-feira (27) e, segundo informações, viajou para os EUA passando pela Argentina, onde agradeceu ao presidente Javier Milei. A viagem ocorreu em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes.
Mudança de nomenclatura e manutenção de acusações
Na versão original da carta, Flávio Bolsonaro declarava: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, a frase foi substituída por: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”.
Outra alteração relevante ocorreu no trecho em que o senador contestava a vitória de Lula. Na primeira versão, ele se afirmava presidente eleito e acusava adversários de “roubar a eleição”. Na segunda versão, retirou a autodeclaração de vitória, passando a se posicionar como uma liderança política que questiona o processo.
Viagem aos EUA e agradecimentos a líderes internacionais
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami. Em sua carta, ele expressou gratidão ao presidente argentino, Javier Milei, e ao ex-presidente americano Donald Trump. “Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, escreveu.
O senador também afirmou estar acompanhado de sua família e negou ter fugido do Brasil. Ele justificou sua permanência no exterior como uma forma de continuar atuando politicamente. A viagem e a carta ocorreram após uma determinação do STF para a entrega de seus passaportes.
Questionamentos ao TSE e a decisão de Moraes
O documento mantém os questionamentos de Flávio Bolsonaro ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, nas quais Lula venceu com uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O senador atribui parte do resultado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirmou o senador na carta. No entanto, essa acusação não encontra respaldo nos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme o TSE, cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h, um número significativamente inferior à diferença entre os candidatos.
É importante notar que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado a extensão do horário de votação em alguns municípios, alegando dificuldades de transporte devido ao mau tempo. Essa solicitação contrasta com as acusações de fraude apresentadas posteriormente.
