Câncer de Pele Dispara no Brasil: Diagnósticos Saltam de 4 Mil para Mais de 72 Mil em 10 Anos; Entenda os Fatores e a Desigualdade no Acesso ao Tratamento

Câncer de Pele Dispara no Brasil: Diagnósticos Saltam de 4 Mil para Mais de 72 Mil em 10 Anos; Entenda os Fatores e a Desigualdade no Acesso ao Tratamento

Aumento Alarmante de Casos de Câncer de Pele no Brasil: De 4 Mil para Mais de 72 Mil em Uma Década

Os números são preocupantes: o Brasil registrou um salto impressionante no número de diagnósticos de câncer de pele nos últimos dez anos. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apontam que os casos passaram de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024, um aumento de mais de 17 vezes. Essa escalada na incidência da doença exige atenção e medidas urgentes.

A SBD destaca que a elevação dos números reflete uma combinação de fatores, como o aumento da exposição solar, a predominância de pessoas com pele clara, que são mais suscetíveis, e o envelhecimento da população. O diagnóstico precoce é crucial, mas o acesso a consultas dermatológicas, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda apresenta desafios significativos.

A disparidade regional na incidência e no acesso ao tratamento também é um ponto crítico. Enquanto algumas regiões concentram taxas mais elevadas e melhor infraestrutura, outras enfrentam maiores dificuldades. Essas informações foram divulgadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Padrão Regional e Fatores de Risco para o Câncer de Pele

A incidência do câncer de pele no Brasil não é uniforme, apresentando um claro padrão regional. Os estados das regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas da doença. Em 2024, a projeção nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, um índice ligeiramente abaixo do pico registrado no ano anterior.

Espírito Santo liderou o ranking em 2024, com 139,37 casos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina (95,65). Rondônia também se destacou com uma taxa de 85,11, mostrando um padrão fora do eixo regional Sul-Sudeste. Essas altas taxas refletem, segundo a SBD, maior exposição solar e envelhecimento populacional.

Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas permanecem mais baixas, mas alguns estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) apresentaram elevação em 2024. A SBD avalia que, em locais com histórico de baixa notificação, o aumento pode indicar um avanço na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda persista, especialmente em áreas remotas.

A Importância do Diagnóstico Precoce e os Desafios no SUS

A expressiva alta nos diagnósticos de câncer de pele a partir de 2018 está ligada, em parte, à exigência do preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em exames. Essa padronização aprimorou o registro dos casos.

No entanto, a SBD aponta uma dificuldade significativa para usuários do SUS em agendar consultas com dermatologistas. Eles enfrentam uma espera 2,6 vezes maior em comparação com usuários da saúde privada. Ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pele depende diretamente do aumento da oferta de consultas na rede pública, pois a identificação em estágios iniciais eleva as chances de cura.

O volume de consultas dermatológicas no SUS retornou ao nível pré-pandemia, com 3,97 milhões em 2024, próximo da marca de 2019. Na saúde suplementar, o número de consultas se manteve significativamente maior, ultrapassando 10 milhões em 2024. Essa diferença no acesso, segundo a SBD, pode influenciar diretamente a evolução da doença, especialmente em casos de melanoma.

Desigualdade no Acesso e Complexidade do Tratamento

A desigualdade no acesso a consultas dermatológicas reflete diretamente na complexidade do tratamento do câncer de pele. Quando o diagnóstico não é precoce, os pacientes frequentemente necessitam de procedimentos mais invasivos e prolongados.

Municípios do interior do país enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para acessar Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maioria dessas unidades especializadas.

Em contrapartida, estados como Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas uma Unacon cada, sem Cacons. Essa desigualdade contribui para que pacientes nessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados da doença, dificultando o tratamento e aumentando o risco de agravamento.

Tempo de Espera e Propostas para Melhoria

O tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento para o câncer de pele também varia significativamente no país. Enquanto Sul e Sudeste conseguem iniciar a terapêutica em até 30 dias na maioria dos casos, no Norte e no Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, elevando o risco de piora do quadro clínico.

Diante desse cenário, a SBD defende a adoção de medidas urgentes, como garantir o acesso a protetor solar, ampliar as ações de prevenção e melhorar o diagnóstico precoce. A entidade pretende sensibilizar parlamentares para incluírem o filtro solar na lista de itens essenciais na Reforma Tributária, visando a redução de impostos e o aumento do acesso da população ao produto.

Os dados sobre o câncer de pele foram encaminhados a deputados e senadores para subsidiar a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer.

Francisco Araújo

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