Bombeiros da PB integram força-tarefa contra incêndios em terra indígena no Mato Grosso

Bombeiros da PB integram força-tarefa contra incêndios em terra indígena no Mato Grosso

O Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB) enviou, na manhã deste sábado (5) de 2026, seis especialistas em incêndios florestais para combater focos que devastam a Terra Indígena Ubawawe, no Mato Grosso. A equipe paraibana junta-se a profissionais do Paraná e Mato Grosso do Sul, formando uma força-tarefa nacional de 16 bombeiros militares.

Esta mobilização é o primeiro acionamento operacional do Programa Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad), uma iniciativa articulada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e pela Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil (Ligabom), respondendo a uma solicitação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Combate integrado a incêndios florestais

A força-tarefa nacional de 16 bombeiros militares, composta por seis profissionais da Paraíba, cinco do Paraná e cinco de Mato Grosso do Sul, visa conter o avanço do fogo na Terra Indígena Ubawawe. A solicitação de apoio foi feita pela Funai, a partir de demanda apresentada no âmbito do Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), diante da gravidade dos incêndios registrados no território.

Liderada pelo major Benevaldo Pessoa, especialista na área e membro titular do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais (Conagif) da Ligabom, a delegação paraibana é chave. Por ser o oficial mais antigo entre os integrantes mobilizados, ele deverá atuar na coordenação conjunta das equipes no local e na interlocução operacional com a Funai.

Logística e recursos em campo

O percurso de Patos, Paraíba, até o Mato Grosso, ultrapassa os 3 mil quilômetros, com previsão inicial de três dias de viagem por via terrestre. A permanência das equipes no estado está programada para até 15 dias, prazo que poderá ser ajustado conforme a evolução do cenário e as condições encontradas ao longo do trajeto.

A base operacional será estabelecida em Campinápolis (MT), ponto de partida para os setores definidos para intervenção. Os trabalhos se concentrarão prioritariamente na porção sul da Terra Indígena Ubawawe, território ocupado pelo povo Xavante, área em que o avanço do fogo se aproxima da aldeia Hoiwapredzawi e representa risco às plantações e às estruturas da comunidade.

Para garantir autonomia durante o período de permanência, o CBMPB deslocou duas caminhonetes, sendo uma delas equipada com conjunto de combate rápido a incêndios. Entre os recursos transportados estão sopradores, mochilas costais, pinga-fogos, motosserra, ferramentas de sapa e outros materiais específicos para operações em vegetação. Um drone também será empregado no reconhecimento e monitoramento aéreo, permitindo acompanhar a progressão das chamas e fornecer informações que auxiliem na definição das estratégias das equipes em solo.

Estratégias de atuação e segurança

As técnicas de combate serão estabelecidas de acordo com as condições encontradas, considerando fatores como localização e extensão dos focos, características da vegetação, situação meteorológica e dificuldades de acesso.

Dados obtidos por meio do geoprocessamento, do acompanhamento aéreo e das avaliações em campo contribuirão para o planejamento das ações, o direcionamento dos recursos e, principalmente, para a segurança dos bombeiros militares envolvidos.

A Funai será responsável por autorizar e articular o acesso das equipes ao território indígena e, com base nas informações atualizadas sobre a localização e a evolução dos focos, indicar os locais que demandam atuação prioritária.

A participação do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba nesta missão, autorizada pelo secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes, destaca a capacidade da instituição paraibana para integrar respostas interestaduais a emergências de grande complexidade. Com especialistas, recursos próprios e autonomia logística, o CBMPB reforça a cooperação entre os Corpos de Bombeiros do país no enfrentamento a desastres ambientais, protegendo comunidades e ecossistemas vulneráveis.

Francisco Araújo

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