Abbott discute câncer de pulmão de pequenas células

Abbott discute câncer de pulmão de pequenas células

O câncer de pulmão é o tipo de câncer mais diagnosticado e a principal causa de morte por câncer no mundo. Em 2022, foram registrados aproximadamente 2,48 milhões de novos casos e 1,82 milhão de mortes. Na América Latina, o desafio do diagnóstico é ainda maior: sete em cada dez pacientes recebem o diagnóstico em estágio avançado ou metastático. Segundo dados do Oncoguia, no Brasil cerca de 91% dos diagnósticos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ocorrem em estágios avançados. Esse cenário se torna particularmente crítico no câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa (CPPC), um tipo de rápida progressão na qual o tempo é um fator determinante.

Nesse contexto e durante o Congresso ESMO 2026, a Abbott promoveu um webinar para a imprensa com especialistas do Brasil, México e Peru para discutir os desafios relacionados ao diagnóstico e ao acesso ao tratamento, além de apresentar recentes evidências científicas sobre o câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa.

"Os avanços científicos desempenham um papel fundamental na evolução do tratamento do câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa, uma das formas mais agressivas da doença. Para que esses avanços alcancem o máximo de pacientes na América Latina, é essencial promover diagnósticos mais rápidos e precisos, além de incorporar as evidências científicas mais recentes à prática clínica", afirma o Dr. Mauricio Morales Castillo, Diretor Médico Associado Global na área de medicamentos da Abbott.

Um diálogo fundamental para enfrentar os desafios da região

Entre 10% e 15% dos casos de câncer de pulmão correspondem ao câncer de pulmão de pequenas células, um dos subtipos mais agressivos da doença. Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo. Ao mesmo tempo, a tendência é que a doença continue crescendo nos países da região: até 2030, são estimados 541 mil novos casos e 454,5 mil mortes por câncer de pulmão na América Latina e no Caribe. Esse cenário reflete desafios compartilhados na região, incluindo a limitada disponibilidade de programas de detecção precoce e atrasos que podem chegar a seis meses entre o diagnóstico e o início do tratamento.

No caso do CPPC, esses atrasos são ainda mais críticos, pois a doença progride rapidamente e, muitas vezes, de forma silenciosa, fazendo com que muitos pacientes sejam diagnosticados quando já dispõem de poucas oportunidades para se beneficiar de um tratamento adequado. Ao longo da jornada do paciente, diversos desafios podem comprometer o cuidado, incluindo a demora na procura por atendimento diante dos primeiros sintomas, a semelhança com doenças infecciosas, o acesso limitado ao diagnóstico, a especialistas e aos tratamentos disponíveis.

Os especialistas que participaram do encontro destacaram o impacto dessas barreiras por meio de exemplos da realidade de seus países. No México, podem transcorrer cerca de cinco meses entre o surgimento dos primeiros sintomas e o início do tratamento, um tempo que muitos pacientes com essa doença acabam não tendo. No Brasil, onde aproximadamente 75% da população depende do SUS (Sistema Único de Saúde), o diagnóstico pode levar mais de 12 semanas, em comparação com três a quatro semanas na rede privada. Já em países como o Peru, onde metade da população vive em áreas rurais, algumas comunidades estão localizadas a quatro ou até oito horas do hospital mais próximo. Soma-se a isso o fato de que, em diversas regiões, a imunoterapia ainda não é totalmente coberta pelos sistemas públicos de saúde.

Reduzindo o atraso no diagnóstico O diagnóstico precoce é fundamental para que os pacientes iniciem o tratamento quando ainda podem se beneficiar das opções terapêuticas disponíveis. Para isso, é essencial investir na formação dos profissionais de saúde que estão na linha de frente, favorecendo a identificação mais rápida da doença, além de ampliar a produção de dados epidemiológicos locais que reflitam a verdadeira dimensão do câncer de pulmão de pequenas células na região. Com isso, será possível transformar os avanços científicos em benefícios concretos para os pacientes.

Novas evidências Durante décadas, a quimioterapia foi a principal opção de tratamento para esse tipo de câncer. Atualmente, a imunoterapia vem transformando o manejo da doença e ampliando as possibilidades terapêuticas para os pacientes. Dados de um estudo internacional de fase III mostraram que a combinação de imunoterapia com quimioterapia proporciona ganho de sobrevida em comparação ao tratamento exclusivo com quimioterapia.

As novas evidências apresentadas na ESMO 2026 reforçam o crescente conjunto de dados científicos que apoiam a ampliação da sobrevida dos pacientes e do controle da doença. Com opções terapêuticas mais abrangentes disponíveis atualmente, o futuro aponta para uma medicina cada vez mais personalizada, permitindo identificar com maior precisão quais pacientes têm mais probabilidade de se beneficiar de cada estratégia terapêutica.

No câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa, controlar a progressão da doença também significa reduzir sintomas, preservar a autonomia dos pacientes, reduzir hospitalizações e ganhar mais tempo de vida com qualidade. Depois de quase 25 anos sem avanços relevantes no tratamento dessa doença, os progressos científicos recentes trazem uma nova perspectiva e renovam a esperança para pacientes e suas famílias.

DINO