Walber lamenta que política ainda seja pontuada por vícios

O deputado estadual eleito Walber Virgolino (Patriota), delegado da Polícia Civil, lamentou, em entrevista ao “Correio da Paraíba”, que a atividade política continue sendo contaminada por vícios, a exemplo do “peditório” de favores e até dinheiro por parte de eleitores, o que, a seu ver, é um contra-senso numa conjuntura em que a palavra de ordem é o combate à corrupção. Virgolino, que surpreendeu com a votação expressiva alcançada na primeira vez em que se lançou candidato, adverte que antes mesmo de assumir o mandato os pedidos por parte de eleitores já começaram.

– Na minha campanha – esclareceu ele – não ofereci nada, só políticas públicas para melhorar a sociedade, mas, mesmo assim, as pessoas pedem. Existe político profissional e existe eleitor profissional que vive de pedir. Isso, na minha avaliação, é um vício. Do mesmo jeito que tem o político que rouba, tem o eleitor que pede. Isso, para mim, é uma “psicopatia” – ele se sacia em pedir, desde carteira de habilitação a feira, botijão de gás, pagamento de conta de luz, emplacamento de carro, pneu de moto. Pede de tudo. Isso não é função de deputado, é função de pai”. Ele ressaltou que esse tipo de comportamento precisa ser combatido pela classe política.

“Os representantes do povo não devem alimentar práticas de ciclos viciosos como esses; pelo contrário, devem centrar sua atuação na oferta de serviços de qualidade e de benefícios públicos”, adiantou Walber Virgolino. O deputado eleito Moacir Rodrigues, irmão do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, do PSDB, também queixa-se do assédio de eleitores em busca de favores pessoais. Revelou que tenta explicar qual será o seu papel na Assembleia Legislativa como representante de todos. “Sou um defensor ferrenho do fim dessas e de outras práticas comuns no meio político, a exemplo da indústria da seca, com a conclusão das obras do projeto de transposição das águas do rio São Francisco, beneficiando comunidades de vários estados. Há quem acredite, no entanto, que a realidade está mudando e que a figura do “eleitor pidão” está desaparecendo. É o caso da deputada estadual eleita Paula Francinette, da região de Cajazeiras, esposa do prefeito daquela cidade, José Aldemir Meireles, do PP. “De minha parte, não fui abordada com pedidos fisiológicos.Senti-me respeitada e considerada pelo eleitor consciente da Paraíba”, salientou a deputada eleita.