Vale a pena retirar os recursos do FGTS? Veja as situações indicadas

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Vale a pena retirar os recursos do FGTS? Veja as situações indicadas
Vale a pena retirar os recursos do FGTS? Veja as situações indicadas

O saque imediato das contas ativas e inativas do FGTS começam nesta sexta (13), ofertando a retirada de até R$ 500 de cada conta. A partir do próximo mês, os trabalhadores já poderão escolher ou não pelo saque aniversário, o qual autorizada retiradas anuais de parte da quantia disposta no fundo.

Entretanto, a rentabilidade das contas do FGTS que possuíam um baixo nível de rendimento, teve um aumento significativo. Isso ocorreu devido a distribuição total dos lucros dos fundos aos cotistas, o que torna o FGTS a aplicação de renda fixa mais vantajosa do mercado. A Taxa Referencial (atualmente zerada) e o percentual de 3% ao ano continuarão sendo pagos aos cotistas. A mudança foi apenas na divisão dos lucros, que de 50% passa para 100%.

O lucro do FGTS é adquirido por meio do financiamento de obras de financiamento para programas da construção civil, como o Minha Casa Minha Vida. Ademais, os recursos são ofertados também para projetos de infraestrutura e saneamento.

Demissão e as modalidades de saque

Segundo uma pesquisa divulgada pelo Datafolha, apenas 52% dos trabalhadores pretendem realizar o saque imediato e somente 27% estuda aderir ao saque aniversário. Os baixos números se dão devido ao impedimento do saque aniversário de retirada do recurso total do fundo em caso de demissão, permitindo apenas a retirada da multa de 40% dos recursos.

Contudo, o planejador financeiro da CFP da Planejar, Leandro Loiola, argumenta que o receio de ser demitido não deve interferir na decisão final de optar ou não pela retirada do fundo. Para ele, manter o dinheiro no fundo é equivalente a não possuir dinheiro algum, visto que a retirada só será autorizada em casos específicos.

Ademais, Loiola ainda afirma que a necessidade das quantias disponibilizadas deve ser levada em consideração. No caso da rentabilidade, o saque aniversário permitirá a retirada de apenas uma parcela do fundo anualmente. Sendo assim, o restante da quantia continuará rendendo das contas do FGTS.

Antigo Rendimento do FGTS

O baixo rendimento do FGTS ocorreria devido a alta da Taxa Selic, que teve pico de 14,25% em 2015 e 2016. Com isso, quando a Selic sobre, o FGTS passa a concorrer com as demais aplicações de renda fica. Entretanto, neste caso, as demais aplicações geram uma maior rentabilidade ao trabalhador.

Atualmente, o rendimento do FGTS é considerado atrativo devido a baixa taxa básica de juros. Porém, no geral, a rentabilidade do fundo não é atrativa, visto que só está maior que as outras aplicações de renda fixa devido ao baixo rendimento do Tesouro Direto e CDBs.

Segundo Michel Viriato, professor do Insper, o recomendado é manter os recursos no fundo enquanto a taxa Selic estiver menor que 8% ao ano. Ao analisar a taxa de lucro nos últimos anos, a expectativa é que o lucro não sofra grande queda. Isso ocorre devido a maior parte dos recursos serem destinados a financiamentos de longo prazo.

Contudo, é preciso estar atento a falta de liquidez do FGTS. Caso o trabalhador não opte pelo saque aniversário e saque imediato, os recursos só poderão ser retirados em casos estabelecidos por lei, como financiamento do imóvel próprio, doenças, entre outros.

Sendo assim, manter o dinheiro no FGTS irá ter a mesma função de uma poupança de longo prazo. Com isso, a opção só se demonstra viável para quem já possui uma reserva de emergência e não deseja correr risco com aplicações financeiras.

Veja também: Regras do saque do FGTS e PIS/PASEP podem perder sua validade.

Situações em que o saque é recomendado

De acordo com Leandro Loiola, algumas situações são propensas e favoráveis para que o trabalhador retire o recurso de suas contas do FGTS. São elas:

Pagamento de Dívidas

Mesmo que a rentabilidade do FGTS tenha aumentado, ela ainda não cobre as taxas de juros cobradas no Brasil. Isso ocorre devido a remuneração do FGTS ocorrer anualmente, enquanto a cobrança dos juros é feita mensalmente.

Com isso, a recomendação é que o trabalhador realize o saque de até R$ 500 e escolha pelo saque aniversário, de modo a dar início na quitação da dívida. Dessa forma, Loiola argumenta que este é o primeiro passo para uma possível organização financeira do consumidor.

Reserva de Emergência

Caso o trabalhador não possua uma reserva financeira destinada a gastos imprevistos, a recomendação é de que os recursos sejam retirados. Desse modo, será possível evitar o risco de cair no cheque especial e juros rotativos em caso de situações de emergências.

Investimento dos recursos

Para quem já possui uma reserva de emergência, a realização dos saques só é indicada caso os valores sejam aplicados em investimentos que rendam mais que a atual remuneração do FGTS. Para isso, é preciso que o trabalhador invista seu dinheiro retirado em aplicações de renda variável e fundos multimercado, como opções.

Entretanto, é necessário ter consciência de que a maior rentabilidade dos investimentos pode não ser atingida. Ademais, é preciso que o trabalhador tenha habilidade e dedicação para encontrar boas opções dentro desse tipo de aplicação. Sendo assim, as aplicações não são indicadas para quem se encaixa no perfil conservador e não possuem confiança em investimentos em fundos mais arriscados.

Se esse for o caso, a melhor solução é manter o recurso no FGTS, visto que seu rendimento atual é semelhante a um título no Tesouro Selic, visto que é isento da tributação do Imposto de Renda.

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