Tucanos pisam no acelerador e iniciam ‘descolamento’ do governo Bolsonaro

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A escalada de declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro acelerou no PSDB um movimento para se descolar do Palácio do Planalto. Depois de críticas às declarações de Bolsonaro feitas por dois de seus três governadores — João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) — o partido se posicionou nesta quarta-feira, demarcando diferenças em relação ao presidente.

“Gente, fica a dica: ser contra a ditadura no Brasil não é ser de esquerda ou comunista. É apenas respeitar a história e ser absolutamente contra todas as atrocidades cometidas durante o período”, escreveu o partido em suas redes sociais.

Foi a primeira vez que a nova direção do partido, empossada em maio, usou seus perfis para se contrapor a uma declaração do presidente.

Ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reforçou a ofensiva tucana . “O presidente despreza os limites do bom senso por sua incontinência verbal. Contraria documentos oficiais sobre o pai do presidente da OAB e dá vazão a rompantes autoritários. Prejuízo para ele e para o Brasil: gostemos ou não foi eleito. O que diz repercute e afeta nossa credibilidade”, escreveu FH no Twitter.

Lideranças nacionais do partido afirmam que o período de “observação” do presidente acabou e que a legenda passará a se manifestar contra “radicalismos” de Bolsonaro. A orientação vale também para seus ministros.

O partido acredita que, para ter chance na próxima disputa presidencial, precisa se descolar do presidente, a quem muitas de suas lideranças deram apoio em 2018, e se reconectar com o eleitorado mais moderado, aquele que optou por Bolsonaro por medo de uma vitória do PT e não por apoiar suas ideias.

Por outro lado, os posicionamentos contra Bolsonaro trazem um efeito colateral. Eles atingem em cheio Doria, principal nome do PSDB para a disputa presidencial. Desde que se manifestou contra o presidente anteontem, o tucano passou a ser alvo de ataques nas redes sociais por apoiadores de Bolsonaro que o chamam de “oportunista” e “traidor”. Em 2018, Doria apoiou Bolsonaro e se elegeu com o voto “Bolsodoria”.

Os tucanos defendem que os posicionamentos em relação às polêmicas do presidente sejam “cirúrgicos”, segundo um integrante da direção nacional. Não será toda declaração do presidente que terá manifestação do partido. O foco será agir nos temas de maior repercussão e que retratem as diferenças de pensamento entre o PSDB e o PSL de Bolsonaro — a chamada pauta de costumes e assuntos ligados a direitos humanos.

 

 

 

 

Com informações de O Globo