Ricardo diz que Brasil precisa olhar para o que está havendo no Nordeste

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Ricardo diz que Brasil precisa olhar para o que está havendo no Nordeste
Ricardo diz que Brasil precisa olhar para o que está havendo no Nordeste

Em entrevista a Rafael Duarte, da Agência “Saiba Mais”, publicada pela revista Forum, o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, presidente da Fundação João Mangabeira, do PSB, abordou a problemática do Nordeste e sugeriu que o país deve olhar com mais atenção para as coisas que estão acontecendo nesta região. Ele disse que o Consórcio Nordeste, idealizado por governadores nordestinos, muda totalmente o patamar da região e lembrou que desde 2011 e 2012 já havia uma discussão em torno disso. “A eclosão do processo que levou ao golpe (contra a ex-presidente Dilma Rousseff, do PT) praticamente fez com que todos os governos se retraíssem em torno do tema. Mas o consórcio é um instrumento fundamental para a gestão de uma região que tem a mesma condição geográfica e uma mesma condição política”, salientou, revelando que a identidade própria do Nordeste ficou evidenciada nas eleições de 2010. E o Consórcio ajuda a solucionar determinados problemas comuns a todos os habitantes do NE.

Cita, como exemplo, que a região não precisa ter que esperar pela Força Nacional para fazer frente a alguns problemas na área da Segurança Pública. “Por que não, dentro da própria região, um Estado ajudar o outro? É perfeitamente possível e o Consórcio facilita isso. Sobre a questão do Mais Médicos, cabe lembrar que o governo federal acabou com o atendimento na saúde primária em grande parte das cidades nordestinas, que ficaram sem assistência de profissionais, embora os que atuassem tivessem sensibilidade e experiência, com formação generalista, a exemplo dos médicos cubanos. Então, o Consórcio vai poder repactuar com a OPAS (Organização Pan-Americana) esse convênio para que médicos cubanos voltem a bem atender a população. O Consórcio possibilitará, ainda, a compra de material de educação, didático e pedagógico, proporcionando queda de preço nos nove Estados. Enfim, haverá vantagem nas políticas de turismo. Eu defendo o aprofundamento dessa identidade e acho que o Brasil precisa olhar mais para o que está acontecendo no Nordeste”.

Ao comentar as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) referindo-se a governadores do Nordeste, em tom pejorativo, como “paraíbas”, Ricardo Coutinho observou que isso é compatível com o grau intelectual do mandatário. “O presidente, infelizmente, não consegue ter uma compreensão de civilidade, de sociedade, à altura do cargo de um presidente. Então ele desconhece Raquel de Queiroz, Patativa do Assaré, Câmara Cascudo. Não sabe de onde veio Augusto dos Anjos, não tem ideia de quem seja José Lins do Rego. Talvez nunca tenha ouvido uma música do Caetano Veloso, Djavan, Zé Ramalho, Chico César. É um cidadão que não tem sensibilidade nem sabe o que é cultura. É um ser aculturado pela violência, pelo ódio, pelo desprezo. Então ele prefere essas palavras que, claro, não nos atingem. Até porque, se tirar o Nordeste do Brasil o país perderia sua grande fábrica cultural. E um povo sem cultura não é povo”. Para o ex-governador paraibano, Bolsonaro, “infelizmente, fica soltando coisas absurdas a cada dia e ao mesmo tempo o país sendo destruído, perdendo soberania, perdendo patrimônio nacional, perdendo direitos humanos, abrindo tudo para o estrangeiro. Mas a resposta do Nordeste foi dada, está sendo dada e será dada numa proporção cada vez maior”.

Ricardo disse que vê com bons olhos a derrota de oligarquias políticas “como os Cunha Lima na Paraíba e políticos tradicionais do Rio Grande do Norte, que perderam para a governadora Fátima Bezerra, do PT”. Salientou Coutinho: “Vejo com uma expectativa muito grande porque nós somos meio que uma capitania – Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, o chamado Nordeste setentrional. Em 2010, só para se ter uma ideia, o Produto Interno Bruto do Rio Grande do Norte era 11% acima do da Paraíba. Hoje o PIB da Paraíba está acima do Rio Grande do Norte entre 4 a 5%, ou seja, o PIB não é um indicador tão fácil de ser modificado. Isso quer dizer que coisas diferentes aconteceram nesses Estados. E eu sinto que a governadora Fátima Bezerra tem uma compreensão da missão dela. Eu estive em dezembro em Natal para participar de um evento na FIERN, debatendo com empresários e com a própria governadora e teve uma coisa que eu disse a ela, mais ou menos o seguinte: “Não queira agradar todo mundo. Agradar todo mundo é uma farsa porque a sociedade tem interesses diferentes. Mas seja fiel à sua caminhada. Construa mesmo tendo que pegar dois anos de desgaste, mas construa o caminho para que o Estado volte a investir, principalmente nas relações que atingem diretamente a população mais sofrida, mais pobre. E tenho certeza que a história de Fátima corresponde a isso. Sei que está havendo diálogos importantes, sei que o governo saiu da paralisia e eu espero que, para o bem do Rio Grande do Norte, recupere os seus melhores momentos”. A entrevista de Ricardo à agência “Saiba Mais” foi dada durante o IV Encontro Nacional de Comunicação, realizado pelo Instituto Barão de Itararé, em São Paulo. Ele foi um dos convidados a falar sobre conjuntura política nacional.

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