Ricardo apelará para a “intuição” na decisão sobre disputar prefeitura

As declarações do governador Ricardo Coutinho (PSB) de que não tem ambição política e que não pretende debater agora o cenário de 2020, com sua provável candidatura a prefeito de João Pessoa, mandato para o qual se elegeu duas vezes, provocaram entre interlocutores seus o comentário de que há uma “zona de sombra” por trás dessa postulação. Acrescentam que Ricardo talvez não seja mesmo o candidato do bloco governista, que se divide por outros partidos, tendo como matriz o PSB.

– A candidatura do governador a prefeito da Capital está condicionada à sua intuição política, o que significa que ele vai maturar a conjuntura na época oportuna para tomar uma posição. Cacife ele tem de sobra. Já demonstrou potencial de liderança e de transferência de voto ao eleger João Azevedo em primeiro turno – comentou um deputado estadual, avaliando que as derrotas de Estelizabel Bezerra e Cida Ramos à prefeitura de João Pessoa foram “acidentes de percurso”. Adversários do governador, enquanto isso, advertem que Coutinho não quer se comprometer com um projeto desde agora porque já se dispôs a colaborar com o governador eleito João Azevedo nos primeiros passos da gestão que ele empalmará.

Ao mesmo tempo, o chefe do Executivo busca luzes para entender a atual conjuntura nacional que, para ele, é indefinida, a partir da eleição de um “out-sider” como Jair Bolsonaro para presidente da República. Na esteira do fenômeno Bolsonaro, haverá os que tentarão a mesma façanha em pleitos municipais, sobretudo em colégios importantes como capitais do país. A avaliação que será feita é se há espaço para um nome novato no cenário pessoense, como o do deputado estadual eleito Walber Virgolino, do Patriota. O atual governador estará atento aos movimentos do PSDB, principalmente do senador Cássio Cunha Lima, que foi derrotado no pleito último.

Para muitos aliados do esquema governista, ainda é uma incógnita o perfil da administração de João Azevedo. “A gente conhece as linhas básicas, as diretrizes teóricas e o compromisso de continuidade do projeto administrativo do governador atual. Mas não há sinalização sobre como será o estilo de Azevedo e, principalmente, o seu relacionamento com a classe política”, opinou, “em off”, um deputado estadual da base situacionista.

Haverá um monitoramento, também, dos passos do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), cujo irmão gêmeo Lucélio não foi eleito governador. Lucélio, por questão de parentesco cominada em lei, não poderá se candidatar à sucessão de Luciano. O PT, em princípio, tende a acompanhar a liderança do atual gestor, mas o petismo é sempre imprevisível. O nome do deputado federal Luiz Couto, que não foi vitorioso ao Senado, pode vir a ganhar consenso, com isso afastando a hipótese da candidatura de Coutinho. Por último, há um interesse muito grande sobre como se comportarão os aliados de Bolsonaro na Paraíba. “Ricardo adota uma postura pragmática, e isto é o correto”, argumentou a fonte.