Políticos e presidentes se apegam a metáforas para traduzir ideias

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Políticos e presidentes se apegam a metáforas para traduzir ideias
Políticos e presidentes se apegam a metáforas para traduzir ideias

O uso das figuras de linguagem no Palácio do Planalto voltou à cena com a eleição de Jair Bolsonaro, do PSL. Via de regra, presidentes da República e políticos apegam-se a figuras como metáforas na tentativa de expressar ideias complexas de maneira simples. Se, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor do Corinthians, o governo e a política eram comparados ao futebol, com Bolsonaro a temática dos relacionamentos amorosos ganhou espaço.

Dilma Rousseff foi mais eclética no repertório, mas adotou igualmente analogias em seus discursos. A crise econômica internacional que ainda perdurava em 2013, por exemplo, foi comparada por um ela a um “espirro”. Textualmente, Dilma assim se expressou: “Quando há um espirro no exterior, o Brasil não pega pneumonia. Temos R$ 378 bilhões de reserva”. Jair Bolsonaro, por sua vez, tem recorrido preferencialmente a metáforas sobre relacionamento, como nas declarações sobre as demissões dos ministros Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, e Ricardo Vélez, do ministério da Educação. “Lamento o ocorrido (com Bebianno) mas não poderia ter tomado outra decisão. É quase um casamento que, infelizmente, prematuramente se desfez”.

Com a escalada da crise no ministério da Educação, que envolveu, inclusive, intervenções do escritor Olavo de Carvalho, “guru” do presidente Bolsonaro e dos seus filhos e que reside na Virgínia, nos Estados Unidos, o presidente disse em uma sexta-feira que avaliaria a situação no fim de semana e indicou que poderia demitir o colombiano: “Vamos tirar a aliança da mão direita, ou vai para a esquerda ou vai para a gaveta”. Na segunda-feira, veio a exoneração do ex-ministro. Os desentendimentos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas-RJ, sobre a articulação da votação da reforma da Previdência no plenário daquela Casa, ganharam tons mais amenos nas falas de Bolsonaro. Ao ser questionado sobre o que faria para Maia voltar à mesa de negociação, o presidente recorreu a uma “DR” (Discussão de Relação): “Só conversando. Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora, o que você fez para ela voltar, não conversou? Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum”, enfatizou Bolsonaro.

O ex-presidente Lula da Silva, durante discurso na cerimônia de posse de Fernando Haddad no Ministério da Educação em 2005, recorreu ao futebol: “Quero desejar ao querido Fernando Haddad pleno sucesso e que continue fazendo as coisas boas que está fazendo, porque nós aprendemos, na prática do futebol, que em time que se ganha a gente não mexe, deixa ele continuar ganhando”. Os temas econômicos se mostram o calcanhar de Aquiles dos chefes de Estado e frequentemente foram “traduzidos” para o entendimento de uma maior parcela da população. Para Lula, a crise americana de 2008 foi “uma marolinha que não dá nem para esquiar”, Eleita em 2010, Dilma também foi questionada sobre política econômica e se esquivou com o uso de metáforas. Sobre como cortaria os gastos de custeio do governo, resumiu: “Se libera os gastos de custeio, um dia você acorda e ele está imenso. Então, você tem que cortar as unhas, sempre”.

Da Redação, com Agência O Globo

 

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