Tucanos decidem apoiar Lucélio e dão o pontapé para unidade das oposições

Foi jogo rápido. A Executiva estadual do PSDB, presidida pelo ex-deputado Ruy Carneiro, oficializou hoje o que vinha sendo costurado nos bastidores nas últimas horas – o apoio à candidatura de Lucélio Cartaxo, do PV, irmão gêmeo do prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, ao governo do Estado. A chapa deverá abrigar, ainda, a doutora Micheline Rodrigues, mulher do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, também do PSDB, como candidata a vice, e o senador Cássio Cunha Lima como candidato à reeleição. A outra vaga de senador está em aberto para negociações e tanto pode ser oferecida ao PP, do vice-prefeito de Campina Enivaldo Ribeiro, como ao PSC, presidido pelo ex-senador Marcondes Gadelha. A direção tucana avaliou, na nota distribuída com a imprensa, que deu passos significativos para a consolidação da unidade das oposições, tida como essencial no confronto com o esquema liderado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), que tem no engenheiro e ex-secretário João Azevedo o candidato a governador.

Os entendimentos com o MDB do senador José Maranhão não estão descartados, apesar de Maranhão insistir em que pretende sustentar sua candidatura própria ao governo. O impasse maior estava concentrado, até então, na negociação com o PSDB, que ora acenou com a candidatura do prefeito Romero Rodrigues, ora sinalizou com uma provável candidatura do deputado federal Pedro Cunha Lima. Com o avanço das articulações, Pedro tende a se candidatar à reeleição à Câmara Federal, com isto desistindo, também, da aventura de tentar migrar para o PPS, que na Paraíba é controlado por Nonato Bandeira, ex-Chefe de Gabinete do governador Ricardo Coutinho, comprometido com o projeto em torno de João Azevedo.

O PSDB traduziu seu apoio a Lucélio Cartaxo, com a renúncia ao lançamento de candidatura própria, como “mais um gesto de desprendimento” em favor da Paraíba. A nota oficial da Executiva repete a tese do compromisso dos tucanos com um novo projeto de desenvolvimento para o Estado, que contemple, realmente, as camadas mais carentes da população, em áreas estratégicas e que estariam vulneráveis na atual administração de Ricardo Coutinho, como Saúde, Educação e Segurança Pública. A cúpula tucana apregoa, igualmente, a necessidade de serem aprofundados contatos com representantes de outras agremiações efetivamente engajadas ao chamado campo das oposições no Estado e alfineta os oito anos da gestão de Coutinho, assinalando que não foram cumpridas ou executadas prioridades prometidas à opinião pública e que o Estado, ao contrário do que tem assegurado o gestor, não avançou substancialmente; pelo contrário, acumula dívidas para com investimentos em favor da população.

Lucélio Cartaxo assume um papel que de início constava no “script” do “clã” familiar como reservado ao seu irmão Luciano, reeleito prefeito de João Pessoa, em 2016, no primeiro turno. Luciano jogou a toalha da candidatura ao governo após chegar à conclusão, como enfatizou, que estava se tornando inviável a unidade das oposições no Estado, em virtude do “radicalismo” de outras forças políticas que poderiam se somar, a partir de eventuais afinidades existentes e do compromisso com as transformações conjunturais que a Paraíba está a exigir. Lucélio não é um noviço em política – ele foi candidato ao Senado em 2014, quando o “clã” Cartaxo ainda estava filiado ao PSD presidido pelo deputado federal Rômulo Gouveia. Chegou a alcançar uma votação expressiva mas não logrou conquistar a cadeira, que ficou em poder de José Maranhão. Lucélio chegou a contar com o apoio de simpatizantes do esquema do governador Ricardo Coutinho e a expectativa era a de que o “clã” Cartaxo selasse aliança com o governador no pleito deste ano. Os fatos, porém, tomaram rumo diferente, e o desfecho ganha outra configuração. Ontem, o PP, que está sendo cogitado para fechar a chapa ao Senado, alertou estar cansado de fazer papel coadjuvante no processo político. Enivaldo Ribeiro chegou a dizer que o partido tem quadros e cacife para lançar candidatura própria ao governo estadual e colocou na pauta de negociações o nome da deputada estadual Daniella Ribeiro. Aguarda-se o desenrolar dos acontecimentos, inclusive, a reação que virá da parte do senador José Maranhão.

Nonato Guedes