Sessão conjunta relembra os 20 anos da morte de Humberto Lucena

A Assembleia Legislativa da Paraíba promove na manhã de hoje sessão conjunta com a Câmara Municipal de João Pessoa, por propositura do deputado estadual Raniery Paulino (MDB) para reverenciar a figura do ex-senador Humberto Lucena ao ensejo dos 20 anos de sua morte, ocorrida no dia 13 de abril de 1998. A sessão será no legislativo pessoense que está abrigando temporariamente as sessões da Assembleia, devido a reformas introduzidas na Casa. O Plenário da Câmara é denominado de Humberto Lucena, cuja trajetória foi pontuada por mandatos de deputado estadual, deputado federal e senador, além de ter presidido o diretório regional do ex-PMDB. Foi, também, presidente do Senado por duas vezes, derrotando candidatos da expressão de Nelson Carneiro, autor da Lei do divórcio, e José Fragelli.

“Humberto é uma figura que jamais será esquecida no nosso MDB e na nossa Paraíba”, resume o deputado Raniery Paulino na justificativa da sessão proposta. Filha de Humberto, a ex-deputada estadual Iraê Lucena, que hoje preside o PSDB Mulher da Paraíba, afirmou que seu pai deu uma inimaginável contribuição para o desenvolvimento da Paraíba, diante do prestígio de que desfrutava no Congresso e junto a ministérios e órgãos do governo federal, principalmente na primeira gestão de Fernando Henrique Cardoso. Quando morreu, Humberto estava na metade de mais um mandato conquistado nas urnas. Ele foi substituído pelo suplente Wellington Roberto, hoje deputado federal e presidente estadual do PR. Lisle Lucena, também filha de Humberto, radicada em Brasília, postou mensagem em rede social lamentando a impossibilidade de comparecer à homenagem e lembrando que seu pai foi exemplo ético e de decência na atividade política.

Remanescentes do PMDB destacam uma característica inata do ex-senador: a postura conciliatória, que o levou a interceder, várias vezes, em conflitos entre facções predominantes no partido. “Humberto tinha uma infinita capacidade de ouvir, sempre ponderando sobre a necessidade de entendimento”, recorda o senador José Maranhão, atual presidente do diretório regional do hoje MDB. Lucena ingressou na política sucedendo ao seu pai, Severino Lucena, que tinha influência a partir da região do brejo paraibano. O ex-senador morreu sem realizar seu maior sonho: o de ser governador da Paraíba. Quando a chance surgiu, em 86, ele enfrentou problemas de saúde, tendo que ser internado no Incor, em São Paulo. De São Paulo mesmo, expediu correspondência sugerindo o voto no nome do ex-governador Tarcísio Burity, que havia deixado o PFL e ingressara no PMDB.

“A capacidade de renúncia de Humberto era inigualável”, afirma Haroldo Lucena, seu irmão, que recentemente completou 80 anos e que também dirigiu o diretório regional do extinto PMDB. Ao todo, a biografia de Humberto compõe-se de dois mandatos estaduais, quatro mandatos federais e senador por várias legislaturas. Severino Lucena era filho do ex-governador Solon Barbosa de Lucena, avô de Humberto. Se estivesse vivo, Humberto completaria 90 anos no próximo dia 22. Seu corpo está sepultado no Cemitério Senhor da Boa Sentença, na Capital. No plano nacional, Humberto destacou-se na resistência ao arbítrio oriundo do regime militar, como líder do MDB na Câmara Federal. No Senado, exerceu cargo de liderança e teve papel decisivo na elaboração da Constituição Cidadã resultante da Constituinte de 1988.

Nonato Guedes

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