PSB planeja “interiorizar” e massificar imagem de Joaquim Barbosa para disputa

A cúpula nacional do Partido Socialista Brasileiro definiu uma estratégia para “interiorizar” e massificar a imagem do ex-ministro Joaquim Barbosa, como parte da meta de elevar seu potencial na corrida pela presidência da República em outubro. A meta de interiorização ficou estabelecida após resultado de pesquisa Datafolha, publicada no fim de semana, em que Barbosa oscila entre 8% e 10% das intenções de voto, não obstante o partido esteja publicizando a sua pré-candidatura. Uma conclusão que alertou dirigentes da cúpula socialista foi a de que Joaquim Barbosa é bem avaliado em Capitais e cidades de regiões metropolitanas, não tendo boa performance em médias e pequenas localidades.

As avaliações dentro do PSB convergem para o fato de que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal ainda não assumiu a pré-candidatura, estando na fase de contatos políticos com vistas a sedimentar a postulação. Há eleitores que não associam sua imagem à imagem do julgador do mensalão no STF, quando se notabilizou por intervenções certeiras sobre aspectos vulneráveis detectados no escândalo. Há outros socialistas que defendem um trabalho de persuasão junto a Barbosa, para que ele tenha jogo de cintura no que diz respeito às alianças para as eleições vindouras. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, que não disputará o Senado, aparentemente apoia a escolha de Barbosa, concordando, porém, em que ele faça mudanças no seu perfil para atingir camadas influentes da opinião pública.

Primeiro negro a chegar à vaga de ministro do Supremo Tribunal e, em seguida, à presidência da Corte, Barbosa teve papel decisivo especialmente na questão do mensalão, que desgastou profundamente a imagem do Partido dos Trabalhadores. O mensalão consistia no pagamento de uma espécie de “mesada” a parlamentares de diferentes partidos para incentivá-los a votar favoravelmente ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em matérias do seu interesse no Congresso Nacional. Confrontado com as primeiras denúncias, o então presidente Lula da Silva não lhe deu atenção.

Posteriormente, quando a repercussão do caso se avolumou, envolvendo diferentes partidos, o ex-presidente assumiu que tinha sido informado, sim, de algo relacionado ao mensalão, mas tentou sair-se bem na fita alegando que fora apunhalado por “companheiros petistas”, a quem aconselhou que fizessem um “mea culpa”. Na época do julgamento do mensalão, um dos ministros qualificou o escândalo como “um ponto fora da curva” e sustentou que houve algum tipo de conivência por parte do presidente da República com tal prática.

O PSB nacional quer herdar votos dos eleitores considerados órfãos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem avaliado, especialmente, no Norte e Nordeste. Lula, que cumpre pena de 12 anos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, teoricamente continua sendo listado como o candidato petista em 2018, dentro de uma tática para mobilizar a opinião pública em atitudes que levem à sua soltura, possibilitando que o ex-mandatário responda em liberdade às acusações imputadas. Joaquim Barbosa é considerado “um magistrado com notável saber jurídico”. O PSB tenta se recompor no plano nacional depois da morte do seu principal líder, Eduardo Campos, que foi governador de Pernambuco e faleceu em desastre aéreo em São Paulo, onde daria início a ações para deflagrar a postulação. O ingresso de Joaquim Barbosa na sigla abre perspectivas de competividade na disputa, como avalia a cúpula socialista. O ministro não esconde que se sente lisonjeado com a menção ao seu nome, mas deseja resolver, antes, pendências políticas e legais para, só então, formalizar sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Nonato Guedes

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