Lula e os petistas querem desmoralizar Justiça e democracia

O lançamento da chapa presidencial encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de 12 anos de reclusão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é a prova provada de que o PT não leva a sério a democracia, muito menos a Justiça brasileira. O cidadão comum que não está informado dos meandros ou dos bastidores das cúpulas políticas, inclusive a do PT, ignora que Lula não pode ser candidato porque, além de condenado, foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Há todo um contencioso a ser examinado em diferentes instâncias da Justiça, assegurado o direito de defesa do representante petista, tal como tem ocorrido. O PT tenta aplicar um golpe dentro da legalidade.

Tanto é assim que a chapa presidencial de Lula está sendo chamada de tríplex, porque além dele como suposto candidato a presidente há dois candidatos a vice-presidente da República, o que a lei não permite – Fernando Haddad, que governou São Paulo tão mal que não logrou sequer ser reeleito à prefeitura e Manuela D’Avilla, que ia ser candidata a presidente pelo PCdoB e foi engambelada por Lula para constar como vice da sua chapa. Poderão dizer que esse cenário configura uma barafunda do ponto de vista jurídico – e isto é a mais pura verdade. O que é sempre necessário dizer, em complemento, é que tal barafunda faz parte da estratégia do PT de tumultuar o pleito democrático deste ano, como vindita porque houve o impeachment de Dilma Rousseff e a sociedade não reagiu, como não reagiu à altura do que Lula esperava à sua prisão, ele que se considera o único líder deste país.

O PT, que se valeu da democracia para chegar ao poder – duas vezes com Lula, duas vezes com Dilma, agora se vale da democracia para golpeá-la, para tentar implantar na marra um golpe invocando uma suposta legitimidade popular que só é encontrada – e olhe lá, nos bolsões atrelados ao PT, seja em segmentos intelectuais, seja em segmentos populares propriamente ditos. Com a conivência de um dos ministros do Supremo, nomeados na Era petista, o presidiário José Dirceu foi autorizado a ficar em liberdade a tempo de costurar esse monstrengo político que é o registro do presidiário-mor Lula como candidato e a inclusão de Hadad-Manuela nas vices (a Presidência da República, a rigor, só tem uma vice. Mas o PT quer inovar logo de agora, com o jogo andando). É claro que o Judiciário estará desmoralizado se, na hora em que for chamado a se manifestar, cair na besteira de endossar essa pantomima que foi articulada pelas cabeças mandantes do Partido de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas até que o Judiciário se manifeste sobre a ilegalidade da candidatura de Lula, a baderna já estará concretizada – e, sendo assim, terá sido atingido o grande objetivo do PT que não é outro senão o de bagunçar o coreto, ressabiado porque avalia que lhe tomaram o poder e agora estão se mobilizando para impedi-lo de conquistar novamente o poder pelo voto. Quem não é idiota sabe distinguir exatamente o que está acontecendo e o que está por trás dessa orquestração. Lula e o PT apostam, porém, que até as elites pensantes no Brasil tornaram-se idiotas e por isso aprontam toda essa encenação de mau gosto, com aspecto de chanchada da pior espécie ou categoria. Que pena! O Brasil lutou tanto por mudanças, inclusive, com a eleição de um operário para presidente da República – e tende a acabar fazendo papel ridículo, desprezando as próprias conquistas que obteve. É um estranho país o Brasil, agora é certo que sim!

Nonato Guedes