Lemos prevê corte de pessoal no governo federal e culpa o PT

O deputado federal eleito pela Paraíba Julian Lemos (PSL), um dos interlocutores privilegiados do presidente eleito Jair Bolsonaro, disse que a equipe de transição da futura gestão está examinando as contas públicas e nos próximos dias oferecerá um diagnóstico dos problemas encontrados, mas, de antemão, prevê-se um corte de mais de 10 mil pessoas na estrutura federal. O parlamentar não poupou o PT de críticas, embora tenha se referido a outros governos passados como responsáveis pelo descalabro.

Numa entrevista ao programa “Correio Debate”, da 98 FM, ele comentou: “A situação é assustadora. Até o petista mais fiel vai achar absurdo o que fizeram com o país. São milhões de obras que só tiveram começo. Essa história de PAC é algo que deixará as pessoas horrorizadas quando forem cientificadas da realidade. Já o governo atual (de Michel Temer, MDB) faz manobras para permanecer com o aparelhamento, nomeando de forma irresponsável. O aumento do Judiciário, na primeira semana da transição administrativa, foi uma medida imoral”, protestou o parlamentar eleito.

Julian Lemos reiterou que o enxugamento de gastos será uma das marcas do governo de Jair Bolsonaro. “Não é possível que tenhamos um lugar que funcione com 200 pessoas e, no entanto, acomode 350. Tem gente que é chefe de si mesmo. O nosso presidente reduziu o número de ministérios de 28 para 16. E vai enxugar o máximo que puder”. De acordo com Julian, uma das mudanças em cogitação prevê o fim da prática de “premiação” com cargos federais. Ele disse, por outro lado, que está à disposição do governador eleito da Paraíba, João Azevêdo (PSB) para agendar um encontro dele com o presidente Jair Bolsonaro.

Na próxima semana, governadores recém-eleitos deverão participar de reunião ampliada com o presidente Bolsonaro, além de gestores reeleitos. A sugestão partiu do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Julian Lemos deu a entender que se o governador eleito da Paraíba preferir uma audiência particular com Bolsonaro poderá tê-la. Na sua opinião, o sucessor do governador Ricardo Coutinho vai ter interesse nessa reunião porque as previsões são de dificuldades financeiras para o Estado no próximo exercício, quando terão que ser honrados compromissos com o pagamento de parcelas de empréstimos efetuados. “Eu torço pela Paraíba eestarei sempre pronto a ajudar o Estado”, assegurou o deputado eleito.

De sua parte, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou ontem, via Facebook, que o reajuste dos salários de magistrados é uma decisão que compete ao atual presidente Michel Temer. “Eu ainda não sou presidente. Estão colocando na minha conta o reajuste do Judiciário como se eu tivesse poder. A decisão é do presidente Michel Temer”. Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro frisou que irá aumentar a alíquota previdenciária dos servidores públicos. Disse que tem recebido muitos projetos e esboços de propostas para a reforma da Previdência e que terá o máximo de cautela na adoção das providências necessárias.