Justiça monitora visitas a Lula e quer “checar” se Ciro é amigo do petista

O Ministério Público Federal decidiu assumir o monitoramento das visitas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está recolhido à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, cumprindo pena de doze anos de reclusão sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A juíza Carolina Lebbos é quem cuida do monitoramento, avaliando os casos em que é permitida a visita. Foi feita uma consulta, por exemplo, à defesa do ex-presidente para “checar” se o presidenciável Ciro Gomes, do PDT, está ou não no rol de “amigos” de Lula. Ciro tem insistido em visitar o líder petista e garante que é um gesto de “camarada”, não de ativista político. Na prática, Gomes está de olho nos votos de Lula, se este for impedido de se candidatar. Quer abocanhar uma fatia dos eleitores órfãos do ex-presidente da República.

O MPF liberou, por exemplo, as visitas da senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores a Lula, preso desde sete de abril. Havia vetado, anteriormente, a visita de uma comitiva de governadores da qual fazia parte o paraibano Ricardo Coutinho (PSB). Uma comissão de Direitos Humanos do Congresso recebeu autorização para ir à Superintendência da PF verificar as condições carcerárias do ex-presidente. O deputado Zeca Dirceu (PR), filho do ex-ministro José Dirceu, cuja prisão voltou a ser decretada, também tem permissão para visitar Lula. Gleisi Hoffmann leu, ontem, para militantes petistas acampados em Curitiba uma proclamação do ex-presidente, ditada a um dos seus advogados, em que afirma que confia na Justiça e que se considera inocente. Lula não deixa de criticar o juiz Sérgio Moro, que o condenou no caso do tríplex do Guarujá, São Paulo, aliás invadido ontem pela manhã e desocupado no começo da tarde por militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, coordenado por Guilherme Boulos, do PSOL, candidato a presidente da República.

Enquanto isso, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal julga hoje denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, acusado de corrupção e de obstrução da Justiça. Se a denúncia for recebida, o tucano poderá se tornar réu no Supremo Tribunal Federal pela primeira vez e passará a responder a processo pelos crimes de que é acusado, com direito a apresentar defesa. A Primeira Turma é composta por cinco dos 11 ministros do STF e tende a tratar com rigor políticos sob suspeição. No ano passado, ela afastou Aécio Neves do exercício do mandato, decisão que foi posteriormente revista pelo Senado. O julgamento da denúncia é considerado um teste para o acordo de delação premiada fechado em 2017 pelo empresário Joesley Baptista e outros executivos de sua empresa, a JBS, com a Procuradoria. Será a primeira vez que o STF decidirá se aceita provas colhidas com delação.

Nonato Guedes, com agências