Duelo entre Cássio, Veneziano e Lira movimentará disputa ao Senado

O confronto promete ser acirrado na disputa por duasvagas de senador nas eleições de outubro na Paraíba. O atual senador Cássio Cunha Lima (PSDB), concorrendo pela oposição, e o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, filiado ao PSB do governador Ricardo Coutinho, querem polarizar a disputa, mas o senador Raimundo Lira é uma alternativa respeitada e terá todo o apoio do PSD, ao qual se filiou, para manter o mandato, além de apresentar-se aos eleitores como um parlamentar ativo nas causas de interesse do Estado e, ao mesmo tempo, um político ético, que não está envolvido em nenhuma acusação e que presidiu com equilíbrio a Comissão Processante do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, assegurando-lhe amplo espaço de defesa.

A configuração final do cenário ao Senado, de certa forma, surpreendeu aos analistas políticos, mas isto se deveu às indefinições que permearam o processo de lançamento de candidaturas ao governo. Por outro lado, há indícios de quebra de apoios tidos como certos na corrida pelo Senado. O deputado Veneziano Vital do Rêgo, embora faça parte da legenda do governador Ricardo Coutinho, que tem se solidarizado com o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, dificilmente terá apoios de dirigentes e políticos petistas no Estado por uma razão simples: votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff. O petismo na Paraíba tende a se integrar efetivamente na campanha do candidato do governador Ricardo Coutinho, João Azevedo, à sua sucessão, e no empenho para eleger deputado federal e deputados estaduais da sigla, mas em relação ao Senado está em dificuldade para se posicionar, já que não tem afinidade, por exemplo, com Cássio Cunha Lima.

A disputa entre Cássio, Veneziano e Lira será travada com mais intensidade em Campina Grande, onde os três possuem raízes políticas. A cidade é o segundo colégio eleitoral do Estado, com cerca de 282.343 eleitores, o correspondente a 10% do total de votos da Paraíba. Veneziano é tido como o emissário de Ricardo Coutinho – que abriu mão do Senado – para neutralizar e derrotar Cássio Cunha Lima, de quem o atual gestor, atualmente, é adversário. A expectativa de Ricardo é de que Veneziano também transfira votos para o candidato a governador João Azevedo, um técnico, da confiança pessoal de Coutinho, e que faz praticamente sua estreia no cenário político paraibano. Veneziano era filiado aos quadros do MDB mas rompeu com o partido alegando desatenção por parte da cúpula, que não o prestigia na disputa de postos relevantes. Ele tentou ser candidato a governador pelo extinto PMDB mas nunca foi levado em consideração e chegou a ser punido pelo partido na Câmara por ter votado a favor da denúncia formulada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer.

Raimundo Lira, que despontou como fenômeno político nas eleições de 86, derrotando o ex-governador Wilson Braga, era suplente do então senador Vital do Rêgo, que foi nomeado ministro do Tribunal de Contas da União pela presidente Dilma Rousseff. Lira, automaticamente, ascendeu à titularidade e em pouco tempo voltou a se destacar no plenário, em Comissões e outros ambientes do Congresso e junto a outras esferas de poder. Ele é considerado “senador municipalista”, pela atenção que tem dedicado aos municípios, encaminhando reivindicações e facilitando o acesso de gestores aos canais de decisão em Brasília. Cássio Cunha Lima é vice-presidente do Senado e ainda agora substitui ao presidente Eunício Oliveira, em face de viagem deste ao exterior. A ausência da candidatura do governador Ricardo Coutinho desapontou aliados do socialista, mas Ricardo tenta controlar defecções deixando claro que no exercício do governo terá condições de manter o projeto de desenvolvimento que foi planejado e, com isto, contribuir colateralmente para a vitória do candidato João Azevedo ao governo.

Nonato Guedes

amei