Disputa pela Mesa da AL está zerada e Ricardo vai entrar no circuito

O processo de escolha da futura Mesa da Assembleia Legislativa, para o biênio que se inicia em 2019, está zerado depois dos últimos desentendimentos ocorridos na base de apoio ao governo Ricardo Coutinho quanto à decretação ou não do fim da reeleição para presidente e a validade de eleição antecipada para os cargos do colegiado. As divergências envolveram o atual presidente Gervásio Maia (PSB), que no próximo ano estará exercendo mandato de deputado federal em Brasília e os deputados Adriano Galdino, Ricardo Barbosa e Rubens Germano, provocando a interferência de deputados oposicionistas que criticaram alegada interferência do governador atual.

O site “Os Guedes” apurou, com exclusividade, que, direto de Portugal, onde se encontrava ainda ontem, o governador eleito João Azevêdo pediu o empenho do atual governador Ricardo Coutinho para mediar uma solução entre os integrantes da base situacionista, de modo a esvaziar a ameaça de um impasse maior que acabe levando o esquema oficial a uma derrota. Com o quadro zerado, complicam-se as chances do deputado Adriano Galdino (PSB) de voltar a ocupar a presidência da Casa, a não ser que ele próprio apresente alguma fórmula pacificadora em meio ao fogo cruzado dos deputados. O impasse entre governistas fez com que deputados do bloco de oposição, inclusive, recém-eleitos, abrissem canais de comunicação com o Palácio da Redenção, sinalizando perspectiva de entendimento para composição da Mesa.

O governador Ricardo Coutinho explicou a fontes de sua confiança que em nenhum momento pretendeu ter qualquer interferência no processo de escolha da futura Mesa, até mesmo em face da sua postura de respeito às decisões de outro Poder, que tem autonomia para deliberar sobre questões que lhe afetam. Mas Ricardo salientou que alguns dos próprios deputados apelaram por gestões capazes de superar o desentendimento e evitar sequelas. O governador eleito João Azevêdo também demonstrou, em conversas telefônicas, sua preocupação quanto a um desfecho salutar, observando que ao assumir o Executivo precisará do mínimo de coesão na Assembleia para que a instituição possa compartilhar com o governo decisões relevantes ou de impacto do interesse da população paraibana.

O deputado Gervásio Maia rebateu as insinuações de que tivesse atuado para tumultuar o processo, ressaltando que são cavilosas tais insinuações e que elas não refletem a postura democrática com que procurou agir no processo. A sua versão é de que o processo desencaminhou-se diante do notório interesse de parlamentares em assumirem a presidência da Assembleia Legislativa sem terem a preocupação de “conjunto”. Mas Gervásio ainda se diz confiante em que surgirá uma luz no fim do túnel e que o “imbróglio” não produzirá desdobramentos sérios para a Assembleia e para o governo. Ricardo Coutinho, diante dos fatos novos, já se prepara para a eventualidade de continuar trabalhando mesmo depois de deixar o governo, desta feita concentrado na tarefa de harmonizar conflitos sobre a Mesa. Mas não descarta abreviar o desfecho, mediante solução fulminante que contemple o interesse da maioria.

Nonato Guedes