Depoimentos revelam faceta autoritária e agressiva de Joaquim Barbosa

Está difícil para o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, levar adiante com apoios uma virtual candidatura à presidência da República pelo PSB. Além de restrições que enfrenta por parte de governadores do PSB, como Ricardo Coutinho, da Paraíba, ele se depara com uma enxurrada de depoimentos à imprensa e em redes sociais, desvendando facetas autoritárias e agressivas de Barbosa. A jornalista Madeleine Lackso, que trabalhou no Supremo Tribunal Federal quando Joaquim Barbosa ali pontificou, declarou no jornal Correio do Povo” que ele batia na mulher e que não fazia questão de assumir atitudes arrogantes.

Em João Pessoa, no jornal “Correio da Paraíba”, o colunista Abelardo Jurema informa que “arrogante, pernóstico, racista, dono de temperamento intolerável” são alguns adjetivos atribuídos ao magistrado que se insinua como possível candidato do PSB ao Planalto. A professora Gisele Cittadino, que conviveu com ele durante um ano e meio na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, comparou o ex-ministro a um personagem “completamente alucinado”. E acrescentou: “Ele dava ataques quando tinha aluno no elevador, que considerava exclusivo para os professores. Certa vez quase bateu num colega mal educado que não apagou o quadro no final da aula”. Gisele conclui: “É um caso patológico”.

Por sua vez, o advogado paraibano Marcos Pires faz coro com a professora Gisele Cittadino. Em postagens feitas em redes sociais, Marcos Pires foi enfático: “O tratamento dele para com os advogados no Supremo Tribunal Federal era terrível. Não voto, não me meto em política e sou contra a democracia representativa. Mas se essa candidatura crescer, vou me insurgir contra. O Brasil não merece”. Em outubro de 2012, Joaquim Barbosa chegou a ser incensado pela revista “Veja” em matéria de capa, definido como “o menino pobre que mudou o Brasil”. Em destaque, uma foto sua com o jogador Pelé e uma frase emblemática do magistrado: “Minha vida é de muita luta, algumas vezes em ambientes hostis. Sou um sujeito que nunca pediu nada a ninguém, nunca me curvei a ninguém e tive muita sorte”. Relator do mensalão e implacável com expoentes do Partido dos Trabalhadores envolvidos no escândalo, Joaquim Barbosa não é bem-visto em diferentes agremiações políticas. Natural de Paracatu, Minas Gerais, de origens humildes, Joaquim Barbosa sofre um processo de desconstrução da sua imagem em nível nacional, depois de ter sido considerado “herói” pela atuação independente demonstrada no julgamento do mensalão.

O antropólogo Roberto DaMatta assim definiu Joaquim Barbosa, quando ele estava no auge da popularidade: “O ministro incorpora uma espécie de herói do século XXI. Precisávamos de uma pessoa com o perfil dele para romper com os rapapés aristocráticos, pois chegamos ao limite da tolerância com a calhordice no poder”. Em 2003, Joaquim estava em Los Angeles, nos Estados Unidos, quando recebeu uma ligação de Marcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça, informando-o de que seu nome estava sendo cotado para uma vaga no Supremo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria indicar um juiz negro para ocargo, celebrado como o primeiro na história da Corte. Joaquim era o nome certo. Não tinha inimigos no PT e tinha currículo. Ele fez doutorado na Sorbonne, em Paris, foi professor visitante na Universidade Colúmbia, em Nova York, e na Universidade da Califórnia. Dois meses depois da primeira sondagem, saiu a indicação de Joaquim Barbosa para o STF. O ato foi assinado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Hoje, dentro do PSB, há quem duvide que a pré-candidatura de Barbosa vá até o fim ou mesmo que consiga empolgar parcelas do eleitorado, diante das revelações que estão sendo feitas e que desgastam a sua personalidade.

Nonato Guedes

 

 

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