Candidatura de Veneziano ao Senado cria complicador para Cunha Lima

Nos meios políticos paraibanos avalia-se que a candidatura do deputado federal Veneziano Vital do Rêgo ao Senado pelo PSB, partido liderado pelo governador Ricardo Coutinho, cria um complicador para o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB, que deverá postular a reeleição em outubro e se vê dentro de um cenário em que seu filho,o deputado federal Pedro, é cogitado para candidato a governador, depois que o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, decidiu permanecer no cargo. Aliados de Ricardo afirmam que Veneziano tem potencial e agora o reforço do próprio governador para se eleger. Cassistas afirmam, porém, que pode haver uma repetição do quadro de 2010 em que dois expoentes de Campina foram vitoriosos ao Senado – Cássio e o irmão de Veneziano, Vital do Rêgo, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União, só que desta feita com Veneziano como favorito.

Na época, Cássio apoiou a candidatura de Ricardo Coutinho ao governo do Estado, depois de ter incentivado Cícero Lucena (PSDB) e Efraim Morais (DEM) a se testarem como opções ao Palácio da Redenção. O anúncio do apoio a Ricardo foi feito após uma viagem de Cássio aos Estados Unidos, quando ele tentou se refazer do trauma da cassação do seu mandato como governador pelo TSE já no final do segundo período que empalmava, sob alegação de conduta vedada e suposta improbidade administrativa, o que foi contestado por Cunha Lima. Ele chegou a governar com liminar judicial durante certo período até que as Cortes Superiores decidiram pelo desfecho da questão. Foi determinada a investidura de José Maranhão, segundo colocado na disputa ao governo em 2006, e de Luciano Cartaxo, então filiado ao PT, como vice-governador. Eles assumiram em fevereiro de 2009. O vice de Cássio, José Lacerda Neto, indicado pelo DEM, também foi alcançado pela punição judicial. O apoio de Cássio a Ricardo foi uma represália do tucano ao então PMDB presidido por Maranhão, que endossou as ações de cassação de Cunha Lima.

Em 2010, como candidato a senador, Cássio Cunha Lima obteve cerca de um milhão de votos, sendo sufragado maciçamente em Campina Grande, no que foi interpretado como uma reação popular ao que foi apresentado como “injustiça” e “erro judiciário” praticado contra o filho de Ronaldo Cunha Lima. Desde então, Cássio cumpre mandato parlamentar com destaque na mídia. Em 2014, ele concorreu ao governo na reeleição de Ricardo, mas perdeu. Os dois estavam já rompidos. Vice-presidente do Senado Federal, que já ascendeu à presidência em substituição ao emedebista cearense Eunício Oliveira, Cássio Cunha Lima teve projeção no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Atuava em articulação com o senador mineiro Aécio Neves no plenário e nos bastidores, para defender o impeachment. Os dois haviam sido governadores estaduais – da Paraíba e de Minas, nas mesmas oportunidades.

Herdeiro político do “clã” familiar, preparado especialmente pelo pai, Ronaldo Cunha Lima, para ocupar espaços no cenário estadual, Cássio foi prefeito de Campina Grande três vezes, deputado federal e superintendente da Sudene. Seu filho, Pedro, tem sido uma revelação na Câmara, com posições diferenciadas e altivas, focadas na redução do que ele chama “custo do Poder” no País, representado por mordomias e outras vantagens auferidas por governantes e políticos. Pedro tem procurado dar o exemplo, abrindo mão de privilégios ou regalias inerentes ao mandato parlamentar. Foi por causa da sua atuação que seu nome passou a figurar nas cogitações para disputar o governo da Paraíba em 2018. Não há certeza de oficialização da candidatura de Pedro a governador. Circula a versão, porém, de que se ele for disputar a majoritária, Cássio deverá trocar o Senado pela Câmara Federal para facilitar espaços de composição que beneficiem o filho na disputa deste ano. Quanto a Veneziano, está motivado desde que rompeu com o MDB alegando desprestígio e foi acolhido com honras pelo governador Ricardo Coutinho no PSB. Ele está integrado plenamente à campanha do pré-candidato socialista ao governo, João Azevedo, lançado diretamente pelo governador Ricardo Coutinho.

Nonato Guedes