Campina fica ausente da disputa ao governo do Estado este ano

Chamada de “meridiano da sucessão estadual” pela sua condição como segundo maior colégio eleitoral do Estado, Campina Grande está fora da disputa ao governo este ano, tendo sido compensada apenas na corrida ao Senado – são quatro os postulantes a esse mandato: Cássio Cunha Lima (PSDB), que tenta a reeleição, Veneziano Vital (PSB), Daniella Ribeiro (PP) e Nivaldo Manoel, do Psol. O próprio Cássio, que se elegeu duas vezes governador, em 2002 e 2006, foi derrotado por Ricardo Coutinho na terceira tentativa de chegar ao Palácio da Redenção em 2014. E o ex-senador Vital do Rêgo concorreu pelo então PMDB, não indo, porém, nem para o segundo turno.

Desde a Nova República, instaurada em 1985 com a vitória de Tancredo Neves por via indireta no Colégio Eleitoral, tendo sido substituído por José Sarney devido à sua morte, o primeiro representante de Campina Grande a empalmar o Executivo paraibano foi Ronaldo Cunha Lima, que era natural de Guarabira mas tinha forte tradição política na Rainha da Borborema. Ronaldo concorreu com candidatos fortes como Wilson Braga e João Agripino Neto. Foi para o segundo turno contra Braga e teve o apoio de João Neto. Ganhou a parada. Wilson havia sido eleito governador em 1982, derrotando Antônio Mariz, com raízes na cidade de Sousa.

Para a disputa deste ano, havia a expectativa de que Cássio entrasse novamente no páreo, até como revanche contra o candidato apoiado por Ricardo, o ex-secretário João Azevedo. Cunha Lima, entretanto, percebeu que a conjuntura sinalizava para outros nomes. No “clã” Cartaxo, inicialmente, o pré-candidato ao governo era Luciano, prefeito reeleito de João Pessoa. A demora na concretização de apoio por parte de lideranças oposicionistas fez Luciano desistir da pretensão, optando por permanecer no cargo até o fim. Foi quando surgiu a “opção Lucélio”, ou seja, o irmão gêmeo do prefeito da Capital, atualmente filiado ao PV e ex-superintendente da CBTU no Estado. Lucélio, em 2014, candidatou-se ao Senado sem nunca haver disputado mandatos antes, e obteve uma votação expressiva, mas foi derrotado por José Maranhão. Agora, é candidato ao governo com o apoio de lideranças campinenses.

A vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) tentou se viabilizar como pré-candidata ao governo, mas enfrentou resistências da parte do governador Ricardo Coutinho, que a acusou de tentar montar um governo paralelo. No final das contas, o esquema de Ricardo acabou absorvendo Lígia como candidata a vice na chapa encabeçada por João Azevedo. Ronaldo foi eleito governador tendo como vice Cícero Lucena, que administrou o Estado por dez meses, concluindo o mandato do poeta, que se afastara para disputar o Senado, sendo eleito.

Na primeira campanha ao governo em 2002, Cássio Cunha Lima tinha como vice Lauremília Lucena, mulher do ex-senador Cícero Lucena. No segundo mandato, instaurado em 2007, o vice era José Lacerda Neto, político recordista de mandatos. Cássio não concluiu esse mandato devido a decisão do TSE que o afastou, acusando-o de conduta vedada e improbidade administrativa. Assumiram José Maranhão, como governador, e Luciano Cartaxo, como vice, os segundos colocados no páreo de 2006. Cássio e Daniella prometem uma campanha conjunta ou casada, mas Veneziano Vital, candidato pelo PSB, tem penetração marcante junto ao eleitorado de Campina Grande. A candidata a vice-governadora na chapa de Lucélio é a doutora Micheline Rodrigues, mulher do prefeito de Campina, Romero Rodrigues.

Nonato Guedes