Bolsonaro tenta quebrar “gargalos” que tumultuam reta final

Na reta final da campanha, depois de ter dito que estava com “a mão na faixa’, o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, está sendo obrigado a quebrar impasses ou “gargalos” que estão decididamente tumultuando a sua pregação. São inúmeras as frentes ou inúmeros os flancos com que se depara o capitão reformado, desde declarações de um deputado seu filho pregando o fechamento do Supremo Tribunal Federal até a agressividade verbal do próprio candidato, que não dá provas de se controlar diante das provocações de grupos sociais que ostensivamente repudiam a sua candidatura e chegam a promover maratonas de atos públicos por todo o país.

Bolsonaro, não obstante, é favorito nas pesquisas confiáveis que têm sido divulgadas pela mídia, embora os petistas tenham começado uma ofensiva para neutralizá-lo, insinuando que está ocorrendo uma “virada silenciosa” em favor do candidato Fernando Haddad. Essas informações estão sendo disseminadas por militantes petistas ou anti-Bolsonaro em redes sociais, mas sem detalhamento oficial dos dados coletados. A revista “Veja” definiu a candidatura de Bolsonaro como um salto no escuro, aludindo a uma série de sombras que pairam sobre ele, a partir das dúvidas sobre a sua capacidade de governar, a viabilidade de seu programa econômico e as suas convicções democráticas. Bolsonaro tem granjeado manifestações de repúdio até no exterior, por parte de personalidades de notória importância que o identificam como ameaça a uma democracia.

O trunfo principal do candidato, na avaliação do seu “staff”, é a fidelidade de segmentos da população brasileira que estão exaustos com a corrupção, bem como com a insegurança em casa e nas ruas. Analistas consultados pela “Veja” revelaram que alguns defeitos de Bolsonaro não produzem apenas desagrado em parte do eleitorado – são uma ameaça de retrocesso político e social e lançam uma enorme dúvida sobre o aspecto econômico. Algumas das principais propostas responsáveis por alavancar o deputado nas pesquisas estão na área da segurança – assunto do qual ele,como deputado de sete mandatos, tratou muito lateralmente. Suas promessas incluem a revogação do Estatuto do Desarmamento e a redução da maioridade penal, medidas que exigirão mudanças na lei e na Constituição Federal.

Se for eleito, Jair Bolsonaro precisará de uma base de apoio de 308 votos na Câmara e 49 no Senado para implementar mudanças constitucionais. “Reunir todos esses votos – diz a revista “Veja” – requer uma capacidade de articulação que o deputado jamais demonstrou ter. Ao contrário, seu despreparo para os mais relevantes assuntos nacionais, bem como seu desempenho parlamentar medíocre, são sinais alarmantes”. Piora a situação de Bolsonaro a grande possibilidade de que o novo Congresso Nacional se notabilize por características pouco favoráveis a um presidente com seu seu perfil. Para compor sua base, Bolsonaro terá de atrair um número maior de lideres, o que, no vocabulário de Brasília, significa sujeitar-se à voracidade fisiológica dos partidos.

Nonato Guedes