Projeto pretende criar “cadastro de pedófilos” em JP

Damásio FrançaImagem: Damásio / divulgação

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) está para votar um Projeto de Lei (PL) que cria o ‘Cadastro de Pedófilos’ na Capital paraibana. A matéria foi proposta pelo vereador Damásio Franca (PP), que alega uma contribuição para a proteção da infância e da juventude da cidade.

O cadastro poderá ficar sob a responsabilidade da Secretaria que cuida de crianças e adolescentes na cidade de João Pessoa, a qual disciplinará a criação, a atualização, a divulgação e o acesso ao Cadastro. Se aprovada nas comissões e no Plenário da CMJP, e depois sancionada pelo Executivo Municipal, a nova norma entrará em vigor na data de sua publicação.

O vereador destacou que a pedofilia é um crime que atinge os mais vulneráveis, que são as crianças e os adolescentes, por diversos meios, como assédio sexual direto, nas redes sociais, por telefone, pela cooptação para a prostituição e para produção de vídeos e fotografias pornográficas.

“Não podemos deixar que esse tipo de crime continue a acontecer, pois é nosso dever cuidar de nossos pequenos, que são os mais indefesos. Por isso, vimos ser imprescindível a criação desse cadastro, pois essa será uma das formas, tanto de coibir, quanto de evitar que esse mal continue a crescer, prejudicando, para sempre, a vida desses pequenos e de suas famílias”, defendeu.

O parlamentar ainda ressaltou que esses criminosos têm acesso a meios sofisticados como a internet, onde criam redes de pedófilos que atuam virtualmente. Com isso, vão ganhando mais espaço para a prática desse crime. “Além do mais, será uma forma de consulta para que os familiares e entidades defensoras da infância e juventude possam ter à disposição para proteção dessas pessoas indefesas e que não podem carregar esse trauma pelo resto da sua vida”, argumentou.

O documento deixa claro que só serão disponibilizadas as informações relativas aos condenados com trânsito em julgado pelas infrações penais especificadas nos artigos 240, 241, 241-A, 241-B, 241- C, 241 – D e 244 -A, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); 217-A e 218, 218-A, 218-B, do Código Penal.

Dados – De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a cada dia, pelo menos 20 crianças de zero a nove anos de idade são atendidas nos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país, após terem sido vítimas de violência sexual.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do ministério, em 2016, houve 7.592 denúncias de casos desse tipo de violência nessa faixa etária, sendo 72,5% entre meninas e 27,5% em meninos. Isso corresponde a 27% de todos os casos de violência registrados entre crianças e adolescentes pelos hospitais. Entre pessoas de 10 a 19 anos de idade, foram 9.919 casos de abuso sexual, ou 27 por dia, no mesmo ano.

“Em João Pessoa não é diferente, o Conselho Tutelar da Região Mangabeira, informou que a quantidade de denúncias no Disque 100 dos casos de pedofilia aumentou nos últimos anos. Também cresceu o número de meninos abusados por crianças mais velhas na Paraíba. O motivo estaria no maior conhecimento da eficiência de entidades responsáveis por crianças e adolescentes”, informou Damásio.

A quantidade de vítimas de violência sexual na infância e na adolescência no país deve ser ainda maior. “É que nem todos os municípios brasileiros enviam os dados para o SINAN. Dados preliminares de 2012 do ministério indicam que 2917 encaminharam, das mais de 5 mil cidades do país”, concluiu.

Redação PB Debate com CMJP

Veja também: Presidenciável do PSol visita a Paraíba nesta quarta (4) e quinta (5)