Diretor de presídio transferia presos em troca de ‘favor amoroso’, diz MP

cra 12042018213305277Reprodução/Google Street View

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, a Polícia Militar e a equipe de inteligência da SAP-SP (Secretaria de Administração Penitenciária) realizaram uma operação nesta última quinta-feira (12) para combater o crime de corrupção na transferência de presos para o Centro de Ressocialização de Araçatuba (520 km de São Paulo).

Segundo as investigações, agentes penitenciários recebiam propina para conseguir vaga na unidade prisional. Ainda de acordo com o Ministério Público, além de pagamentos em dinheiro, familiares e advogados de presos mantinham relacionamentos amorosos com o diretor do presídio José Antônio Rodrigues Filho para conseguir transferência.

A unidade prisional está com quatro pessoas presas a mais do que a capacidade no regime fechado: tem 146 pessoas detidas onde comporta 142 pessoas. No regime fechado, a situação é ainda pior: 89 pessoas presas, para 72 vagas. Mesmo assim, segundo o MP-SP, o presídio é considerado modelo no Estado de São Paulo.

A operação do Gaeco, PM e SAP-SP cumpriu sete mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva nas cidades de Araçatuba e São José do Rio Preto (440 km de São Paulo). Conforme o MP-SP, a ação contou com a participação de agentes penitenciários, seis promotores de Justiça e 25 policiais militares.

Procurada pela reportagem, a defesa do diretor da unidade prisional falou que, no exercício de suas funções ou em razões dela, seu cliente “nunca solicitou ou recebeu qualquer tipo de vantagem, também não aceitou promessa para recebê-las em oportunidade futura”.

O advogado Thiago de Barros ainda garantiu que a conduta do diretor “é pautada pela legalidade e que seus atos estão amparados nos dispositivos legais que permitem sua realização”. Por fim, a defesa ressaltou que “colaborará com a apuração dos fatos e, ao final, demonstrará ser inocente das acusações lançadas em seu desfavor”.

Da Redação Paraíba Debate com Kaique Dalapola/R7