O que o Papa tem a dizer aos governantes que foram eleitos?

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O que o Papa tem a dizer aos governantes que foram eleitos?
O que o Papa tem a dizer aos governantes que foram eleitos?

A revista “Família Cristã” publica reportagem em que revela que o Papa Francisco considera a política uma sublime vocação e uma das formas mais preciosas da caridade, como consta da encíclica “Evangelii gaudium”) e que, nesse contexto, tem muito a ensinar a governantes eleitos no Brasil em 2018 sob o signo do acirramento ou da radicalização. No Brasil, em meio à polarizada campanha eleitoral do ano passado, duas questões relevantes mereceram atenção: o combate à corrupção e a defesa das políticas públicas. “Tanto em nível nacional quanto estadual, os vários representantes eleitos precisarão se esforçar parra mostrar à sociedade que conseguirão equilibrar essas demandas, ambas justas e necessárias, na busca de pacificar o país”, adianta a reportagem, que, sem dúvida, é oportuna.

Na exortação apostólica, Francisco chama a corrupção de “câncer social”, porque se alimenta da ambição do “poder” e do “ter” que não conhece limites. Trata-se, conforme o Papa, de um sistema que tende a fagocitar tudo para aumentar os benefícios, em relação ao qual qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa ante os interesses do mercado divinizado, transformado em regra absoluta. Afinal, quem paga por isso são sempre os pobres, os mártires da corrupção, como exclamou o Pontífice na homilia da missa matinal na Casa Santa Marta, do dia 16 de junho de 2014, expressão que se mantém atualizadíssima.

De acordo com Francisco, a corrupção é um mal maior do que o pecado. Mais do que perdoado, esse mal deve ser tratado – como afirmou em um encontro com aa Associação Internacional de Direito Penal em 2014. A corrupção é tida como a vitória das aparências sobre a realidade e da desfaçatez impudica sobre a discrição honrosa. Por isso, ao causar danos sociais, a própria corrupção equivale a um processo de morte. A corrupção é igualmente a pior chaga social, conforme Francisco, porque é a mentira de buscar o lucro pessoal sob as aparências de um serviço à sociedade. Em discurso aos membros da Associação de Empresários Católicos em novembro de 2016, o Papa reconheceu que uma das condições necessárias para o progresso social é a ausência de corrupção. “Qualquer tentativa de corrupção, ativa ou passiva, é já começar a adorar o deus-dinheiro”, disse.

Mas o Pontífice, como nota a revista “Família Cristã”, também propôs uma saída à corrupção, especialmente por parte dos políticos. Essa saída se chama austeridade – não econômico-financeira, mas sim moral e humana. No discurso formulado aos participantes do III Encontro Mundial de Movimentos Populares em Roma o Papa disse: “A qualquer pessoa que seja muito apegada às coisas materiais ou ao espelho, a quem gosta do dinheiro, dos banquetes exuberantes, das mansões suntuosas, das roupas de grife, dos carros de luxo, eu aconselharia que olhe para o que está acontecendo no seu coração e que reze para que Deus o liberte dessas amarras”. Segundo Francisco, praticar a austeridade é pregar com o exemplo, que tem mais força do que mil palavras, mil panfletos, do que mil “curtidas”, do que mil “retuítes”, do que mil vídeos do You Tube. O exemplo de vida austera a serviço do próximo é e a melhor forma de promover o bem comum.

Quanto às políticas públicas, o Papa defendeu que o cuidado e a promoção do bem comum da sociedade competem, sim, ao Estado. Cabe a este, com base nos princípios de subsidiariedade e solidariedade, promover um grande esforço de diálogo político e de criação de consensos, na busca do “desenvolvimento integral de todos”. Francisco traduz isso com uma palavra que muitas vezes como ele mesmo afirmou se converteu até em palavrão: solidariedade. “Esta é pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. É também lutar contra as causas estruturais da pobreza, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e trabalhistas”, mencionou Francisco.

O Papa lançou um dos maiores “gritos sociais” do seu pontificado. Foi quando enfatizou: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que provém do trabalho. É estranho, mas se eu falo disso, para alguns, o Papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho são direitos sagrados. Demandar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja”. Precisa dizer mais alguma coisa?

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