O juiz perdoa a dívida de um pai que largou tudo para cuidar da saúde da criança

Juíza Anne Karina Stipp Amador da Costa, titular da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba, perdoou a dívida de um pai, em seguida, o mutuário da Caixa Econômica Federal (CEF), que largou tudo para tentar salvar a vida de um filho que sofre de uma doença rara.

A dívida de Adolfo Guia com a Caixa Econômica Federal foi pago com os valores das sanções pecuniárias do tribunal Criminal de Curitiba. Licenciatura em engenharia mecânica, Guia de abdicou da profissão, em 2001, quando descobriu a doença de seu filho, Vitor Guia.

O menino tem uma doença chamada Gangliosidose Gm1, caracterizada pela falta de uma enzima fundamental para a reconstituição de células do cérebro.

Enquanto o pai procurava uma cura para a doença, os benefícios da casa, de cerca de us$ 500, foram se acumulando. Depois de encontrar uma forma de controlar o problema, Adolfo tentou voltar para o mercado de trabalho, mas não teve sucesso.

“Eu não me arrependo do que fiz. Fomos capazes de salvar o Vitor, que é o único no mundo a ultrapassar a 11 de vida com esta doença“, disse o juiz. Adolfo voltou a trabalhar por conta própria, em uma oficina improvisada no espaço em frente à sua casa, onde vive desde 1996.

Sensibilizado com a história do pai que endividou para um bem maior, a juíza Anne Karina encaminhada uma carta para o tribunal Criminal de Curitiba, solicitando a utilização de recursos para a agência para facilitar a conciliação no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação.

Depois de um longo processo, que envolveu juízes federais, ministério público Federal, conciliadores, advogados da CEF, foram fornecidos os valores decorrentes do depósito de prestações pecuniárias e de suspensão condicional da pena – valores pagos por pessoas condenadas na Justiça – para a quitação da dívida de R$ 48, de 5 mil.

“É um caso excepcional. Nós sentimos que ele não teria outra alternativa para pagar a dívida. Ele abriu mão de uma carreira profissional para cuidar da criança. Como ele também trabalha com a oficina mecânica, se você perdeu a propriedade, além de habitação, perderia também sua fonte de renda.”

Anne Karina disse que a conclusão do caso abre precedentes para outros processos que envolvem peculiaridades semelhantes também têm o mesmo resultado.

O caso aconteceu em 2010, mas que ganhou repercussão nacional, recentemente, após o vídeo de uma reportagem sobre o caso foi compartilhada no Facebook. O vídeo já tem mais de 1 milhão de visualizações e mais de 53 mil ações. Confira:

Com informações da Tribuna do Paraná

Foto: Programa Via Legal

VEJA TAMBÉM: