O 11 de setembro do cristianismo

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O 11 de setembro do cristianismo
O 11 de setembro do cristianismo

Hoje, 15 de abril de 2019, o mundo cristão ocidental recebeu com profunda tristeza e dor a notícia avassaladora do incêndio que destruiu grande parte de um dos monumentos mais simbólicos de sua religião, um dos berços da Igreja Católica na Europa, a Catedral de Notre Dame, em Paris, na França.

Com arquitetura gótica esplendorosa e belíssima, a catedral, construída em 1163, obtinha grande fama religiosa e literária, tendo sido referência para a grande obra romântica clássica de Victor Hugo em 1831, ‘O Corcunda de Notre Dame’, e palco de diversos momentos marcantes na história da França e da Igreja Católica. Este ano, a matriz passava por uma restauração estrutural e estava em reforma quando ocorreu a irreparável tragédia.

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Símbolo insubstituível da religião cristã e da história do povo de Deus, Notre Dame cai reduzindo às cinzas uma quantidade incalculável de valores da humanidade, sejam eles materiais, já que era um dos maiores relicários da Europa, possuindo relíquias únicas e preciosíssimas; sejam eles espirituais, especialmente para o povo católico, que reconhece e crê em toda a riqueza espiritual existente nos sacrários do mundo inteiro – riqueza eternamente insuperável -, ou sejam eles históricos, visto que o simbolismo do monumento era de uma força imensa para o mundo ocidental, para a história dos cristãos, para os pilares universais do conservadorismo, da tradição e do passado da humanidade.

O que assistimos hoje é nada menos que um grande marco de um processo que vem ocorrendo há séculos: a perseguição ao cristianismo, ao povo cristão e, principalmente, à Igreja Católica, propagada, quase sempre, pelo mundo islã. E a França tem sido um alvo comum a esses ataques. Se há uma nação que um dia foi considerada o seio católico da Europa e hoje representa fidedignamente a islamização do mundo ocidental, essa nação é a França.

Ah! Que triste fim tomou a França! Que triste retrato o mundo observa em um país que escolheu se afastar de Deus, o Deus verdadeiro, e abrir às portas ao liberalismo, ao libertarianismo, à deturpação religiosa, moral e humana.

Escrevo estas palavras com profunda tristeza em meu coração. Peço licença ao leitor para este pequeno desabafo: como católico apostólico romano que sou, sinto em mim todo e qualquer golpe dado na Santa Igreja, que é, primeiramente, um golpe no Sagrado Coração de Jesus Cristo. Mas o incêndio de hoje é um duro golpe não só no catolicismo, e sim em todo o cristianismo que, ainda que disperso em algumas diferentes doutrinas, carrega o maior tesouro religioso da humanidade, pois possui como guia e como fim o Deus único e verdadeiro.

Retomando à história, o islamismo tenta há séculos destruir a nossa religião e, para isso, utiliza de todos os meios possíveis. A tática de tentar se infiltrar nas raízes cristãs do velho mundo não é coisa nova. O passado é marcado por inúmeros e violentos confrontos entre cristãos e mulçumanos.

Ainda no século VIII, pouco depois do surgimento do islamismo, eles já empunhavam sua Jihad, sua guerra “santa”, que só visa a exterminação de toda religião distinta por meio do genocídio. Assim, lançaram-se em seu plano imperialista, expansivo, dominando o mundo árabe e o norte da África inteiro com o terror de seus exércitos numerosos e cruéis. Chegaram a dominar quase toda a península ibérica em seguida, quando houve a primeira – e muito tardia – resposta dos cristãos, após muitas perdas dolorosas, que foi a reconquista ibérica, iniciada em 722 com a vitória na Batalha de Covadonga, na Espanha.

Os séculos seguintes foram desenhados por grandes conflitos entre os ataques islâmicos e as defesas cristãs aos bens que, desde a época de Cristo, sempre foram cristãos por direito e por natureza religiosa. Todo o empenho da Jihad, que devastou por muito tempo o cristianismo, causou terror e mortes numerosas, trouxe sofrimento e danos irreparáveis – pois é isso que sempre fez – só foi contido após outra resposta tardia, necessária e absolutamente salvadora da Igreja Católica, que foi a instituição das Cruzadas Santas. Quanta riqueza e quanta valentia tem o povo de Deus. Salvaram o mundo. Muitas vezes!

Desde 1789, no entanto, uma revolução de caráter liberal transformou a França, a Europa e o mundo, abrindo as portas do ocidente a uma nova expansão islâmica que promete chegar, cada vez mais forte, para destruir de modo irrecuperável o que conhecemos por civilização ocidental, cristã e livre de fato. Eis um grande equívoco dos liberais, que, historicamente, não observam que sua guerrinha por liberdades absolutas só contribui para uma escravização eterna da sociedade, como já ocorre no mundo árabe. A Revolução Francesa foi o início do fim. Seus efeitos nos golpeiam duramente até hoje.

Sobre a islamização do ocidente, evento muito mais real, sombrio e perigoso do que imagina a maioria absoluta dos cristãos, o filósofo e professor Olavo de Carvalho faz uma análise magnífica e detalhada em seu artigo ‘As garras da esfinge’, publicada em seu próprio site, em 2016. Após muito explicar sobre o processo e sobre as vertentes religiosas, que são numerosas e complexas, Olavo escreve um trecho interessante que destaco aqui. Ele diz:

– “ Após descrever com as cores sombrias de um genuíno Apocalipse a degradação espiritual da civilização no Ocidente, atribuindo-a à perda da “verdadeira metafísica” e das ligações entre a Igreja Católica e a Tradição Primordial (ligações que só poderiam ter sido mantidas por intermédio das organizações iniciáticas), René Guénon prevê três desenvolvimentos possíveis do estado de coisas no Ocidente:

  • A queda definitiva na barbárie.
  • A restauração da tradição católica, sob a orientação discreta de mestres espirituais islâmicos.
  • A islamização total, seja por meio da infiltração e da propaganda, seja por meio da ocupação militar.
  • Essas três opções reduziam-se, no fundo, a duas: ou o mergulho na barbárie ou a sujeição ao Islã, seja discreta, seja ostensiva. ”

    Sugiro a leitura desse artigo por completo para uma compreensão mais profunda e ampla das corretíssimas palavras do professor.

    Retomando ao contexto de hoje, o desastre em Notre Dame aconteceu após outros vários ataques que colocaram em fogo 12 Igrejas na França, só neste ano de 2019. Todos os ataques anteriores foram reivindicados por grupos e organização islâmicas e satanistas. Os vídeos e as imagens são dolorosos.

    Até agora, não se sabe a causa da tragédia de hoje. No entanto, pelo conhecimento que temos da causa terrorista islâmica e do que são capazes de fazer, e sabendo também que a catedral estava em obras atualmente, o que facilitaria a entrada de um infiltrado para iniciar as chamas, a nossa desconfiança é grande.

    Além disso, ainda que o fogo tenha surgido por outra causa, o incidente repercutiu a nível mundial e a reação dos islâmicos nas mídias sociais foi o levantamento da tag “SmilesFaces”, que significa “rostos felizes”, sobre o ocorrido. Eles não têm, e nunca tiveram, receio ao assumir o ódio explícito ao cristianismo. Não é hoje que esperaríamos deles uma comoção inusitada.

    A perda de Notre Dame, muito mais que um sofrimento causado nos corações cristãos e conservadores deste lado do planeta, pode ser uma representação de uma grande vitória da Jihad nos tempos contemporâneos. O professor e meu colega colunista aqui no Conexão Política, Guilherme L. Campos, fez um comentário no Twitter onde disse que a tragédia foi o 11 de setembro do cristianismo. Comparação justa e oportuníssima. A dor causada nos cristãos hoje foi comparável à dor causada nos americanos com a queda das Torres Gêmeas, ainda que a causa tenha sido acidental.

    A Revolução Francesa pode ter iniciado uma nova era na história conflituosa entre seguidores de Cristo e seguidores de Maomé. Uma era que pode ser muito sombria para nós, que pode nos trazer um revés histórico. Uma era que pode culminar em uma derrota irreversível do mundo cristão. Não podemos prever o futuro, mas as Sagradas Escrituras, em suas profecias – as quais muitas já foram cumpridas – estão aí para ser observadas, consideradas e levadas a sério.

    Não é sensacionalismo. A ação humana já se provou controladora do destino das sociedades ao longo do tempo. Sabemos disso. Contudo, Deus já nos revelou a que futuro a humanidade, a partir de sua morbidez, de sua inércia, de sua preguiça, de sua indiferença, de sua morte religiosa e intelectual, chegará. Viemos do pó, e ao pó retornaremos. Cabe a nós, enquanto passamos por essa breve vida terrena, lutar pela glória de Deus e da Igreja. E eu afirmo: ou os cristãos tomam as rédeas do destino e lutam contra as ameaças reais que atentam contra eles, ou serão novamente escravizados, como bem nos alerta a análise do professor Olavo de Carvalho.

    Afinal, é como diz Edmund Burke em uma de suas mais corretas frases: para que o mau triunfe, basta que os homens bons não façam nada!

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