– Artigo – Porto Maravilha: projeto ainda em construção

O Porto Maravilha, projeto inovador da Prefeitura do Rio, desde a concepção de sua modelagem, inspira diferentes emoções e opiniões entre cariocas e apaixonados pela cidade. Também dá margem a interpretações – até técnicas – sem fundamentação. Sofre ainda do contaminante político em sua avaliação, grande obstáculo à percepção da realidade da operação urbana. Assim, além de todos os desafios concretos, padece com críticas sem base. Um olhar menos atento dirá que as obras só contemplam o entorno da Praça Mauá, a construção dos museus (do Amanhã e de Arte do Rio) e da Orla Conde. Mas a reurbanização, em parte, dos sete bairros da área legal, já transformou 180 mil metros do total de 360 mil em redes de infraestrutura (água, esgoto, drenagem, energia, gás natural, telecomunicações e iluminação pública). Tanto é que a Região Portuária passou no teste dos últimos temporais, sem registro de alagamentos ou apagões. ~

O cronograma de obras de 2011 a 2026 contemplará, ainda, áreas que não passaram por intervenção. Some-se aí a dívida social com o Morro do Pinto (Santo Cristo), que deixou de receber investimentos para viabilizar a construção do Museu do Amanhã, ao custo de R$ 380 milhões. A prefeitura quer dar ao local perfil de bairro após reurbanização. 

Como todo grande projeto, o Porto Maravilha enfrenta bombardeio político, seu maior desafio. Notícias fabricadas associaram dificuldades financeiras da operação, decorrentes da crise do setor imobiliário – gerador de recursos na parceria público-privada (PPP) – a suposto bloqueio pela Lava Jato. A afirmação nesse sentido é resultado de má-fé ou profundo desconhecimento. Já foram investidos R$ 5 bilhões dos R$ 10 bilhões previstos. O esforço que mobiliza público e privado já apresenta os primeiros sinais de recuperação, com ocupação da área por empresas como L’Oréal, Granado e Fábrica de Startups. Em breve, outros projetos serão anunciados. 

Nos primeiros sete anos foram implantadas novas vias e um sistema de mobilidade urbana com áreas para pedestres, ciclistas e VLT. Nem todos conhecem benefícios adicionais, como a regularização fundiária, a construção de uma usina de asfalto moderna no Caju, a instalação do terceiro maior reservatório de águas do Rio ou a chegada de grandes empresas à área revitalizada. Em pouco tempo, a experiência torna-se referência de revitalização. A PPP, além de alimentar debates acadêmicos nas melhores universidades nacionais e internacionais, recebe comitivas de diversos pontos do país e do mundo para trocar informações. 

O escopo da revitalização não se reduz a obras e serviços conduzidos pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pelo planejamento e fiscalização. Combate ainda a gentrificação por meio dos programas Porto Maravilha Cultural e Cidadão, além do apoio de outras unidades da administração. Não à toa, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação escolheu os Galpões da Gamboa como sede de startups. 

Críticas são pertinentes e bem-vindas. Assim como sugestões edificantes. Mas quem pode falar com propriedade e fundamento são moradores e empresas do Porto Maravilha que vivem o seu dia a dia. 

* Diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro