Lutando para vencer a Covid-19, delegado desabafa e cobra cumprimento de direitos na Paraíba

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Lutando para vencer a Covid-19, delegado desabafa e cobra cumprimento de direitos na Paraíba – Foto: Reprodução

“Quero saber se a gente vai morrer de trabalhar e trabalhar até morrer, não tendo um direito adquirido. Isso é uma vergonha!”, desabafou o delegado de Barra de Santa Rosa, Décio de Souza Lima, de 60 anos, em um vídeo gravado no leito de uma clínica particular de Campina Grande, onde está internado há 20 dias com Covid-19.

No vídeo, Décio apontou os problemas da corporação e cobrou do governo o cumprimento da Lei do Subsídio, sancionada em 2010. Ele e toda a equipe policial da delegacia contraíram o novo coronavírus após trabalharem nas eleições deste ano, cujo 1º turno foi realizado no dia 15 de novembro.

“Além de ser diabético e ter problemas cardíacos, pela minha idade, eu poderia ter optado por trabalhar em casa, em home office, mas jamais faria isso com a delegacia precisando da minha ajuda. Lá, a situação é tão precária que são 4 delegados para dar conta de 12 cidades. Nós temos que fazer das tripas coração”, declarou.

O delegado espera que o vídeo sensibilize os governantes para que seja cumprida a Lei do Subsídio, que garante direitos básicos à categoria. “É um direito que nós temos e que foi conquistado há 10 anos. Falta só a boa vontade. Queria que, pelo menos, sensibilizasse os nossos governantes para que a caneta assinasse o subsídio”.

De acordo com Décio, que já tem 32 anos de carreira na Polícia Civil, muitos policiais estão com dificuldades para conquistar a aposentadoria. “Aqueles que têm o direito de se aposentar não estão conseguindo por simples capricho de quem poderia concedê-lo. Nessa campanha do subsídio, a gente não está querendo nada demais, apenas um direito que já foi adquirido [pela classe]”, destacou.

Internado há 20 dias em uma clínica particular de Campina Grande, o delegado utiliza um equipamento de oxigênio para auxiliar no tratamento contra a doença. “Eu ainda estou dependendo de oxigênio, às custas hospitalares. Hoje, não vivo de salário, vivo de gratificações. É difícil você cumprir sua missão e não poder usufruir [das contribuições prestadas]”, lamentou.

O titular da delegacia de Barra de Santa Rosa ainda lamentou as perdas dos colegas de farda que morreram em decorrência de complicações da Covid-19. “Estamos perdendo nossos amigos e colegas. Outros virão aí porque a doença continua, tanto essa como outras”, alertou.

VEJA DESABAFO DO DELEGADO: